Setor hoteleiro viveu seu pior momento em 2015, diz presidente da ABIH
Segundo Glicério Lemos, o setor fechou o ano com um déficit de quase 40% da sua capacidade, com fechamento de estabelecimentos e de 9 mil postos de trabalho

Apesar do bom desempenho do setor durante o Réveillon, quando a ocupação alcançou 97%, e as reservas para o Carnaval, que já somam 80%, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), seção Bahia, não tem o que comemorar, mesmo com a desvalorização do dólar que estimula a vinda de turistas estrangeiros, segundo o presidente da entidade, Glicério Lemos. Para ele, há necessidade urgente de uma atenção por parte das autoridades públicas para reverter a situação.
A Pesquisa Conjuntural de Desempenho (PCD) mostra que 2015 foi o pior ano para o setor hoteleiro baiano desde 2012, com uma ociosidade de quase 40%, fechamento de diversos hotéis e cerca de 9 mil postos de trabalho somente na capital, terceiro principal destino turístico do país. Lemos aponta como fatores que influenciaram o resultado o fechamento do Centro de Convenções, o abandono da orla e a situação do Aeroporto Internacional de Salvador.
Diante do quadro, o presidente da ABIH tem pressa em discutir a situação com o Estado e a prefeitura, a fim de buscar soluções para reverter o quadro. Para tanto, quer agendar um encontro com o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto, quando pretende mostrar a realidade do cenário atual e apresentar as reivindicações do setor para melhorar o quadro.
Glicério Lemos considera equivocada a decisão de fechar o Centro de Convenções, mas diz não se opor à construção de um novo espaço na área do Comércio, desde que haja a manutenção do existente, já consolidado e importante equipamento para o ramo, especialmente no que diz respeito ao turismo de negócios. “Não somos contra a construção de um novo centro de convenções, mas o fechamento do atual significa uma grande perda”, avalia.
De acordo com dados apresentados pela associação, embora disponha da terceira maior rede hoteleira do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, o segmento tem apresentado perdas irrecuperáveis e exige investimentos em infraestrutura “O setor hoteleiro não funciona como o comércio, que pode fazer promoções. Quando o hotel apresenta ociosidade, não tem como recuperar as perdas”, diz Glicério Lemos.
Entre as dificuldades enfrentadas, o presidente da ABIH cita a falta de infraestrutura e atrativos, sob o argumento de que a capital baiana tem perdido grande espaço em função do fim de eventos como a Stock Car, as regatas internacionais, congressos, entre outros, que estimulavam a ocupação hoteleira e o turismo baiano como um todo.
Glicério Lemos defende uma maior atenção ao turismo náutico, e sugere a retomada das regatas internacionais, vistas como importantes para a ocupação da rede hoteleira, além de grandes geradoras de emprego e renda. “A Bahia possui uma imensa costa que não é aproveitada. Precisamos explorar esse potencial”, diz o presidente da ABIH.
Lemos critica ainda a política da aviação aérea, apontada como extremamente prejudicial para o turismo nacional, especialmente o interno, já que pratica preços considerados exorbitantes, que inviabilizam o crescimento do segmento turístico. Ele defende a abertura do setor aéreo para empresas estrangeiras. “Só assim vamos ser mais competitivos e teremos condições de expandir o turismo além das fronteiras da capital, explorando o interior da Bahia, que oferece um grande potencial”, declarou.
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