Inspirado no carnaval baiano, +QVip se reúne em reduto drag
Por conta do público cativo da Blue Space, muitos dos foliões eram da comunidade GLBT

Há um problema conceitual no bloco +QVip Carna Bahia, que desde 2011 anima o carnaval da Barra Funda. A festa já era anunciada, em Facebook, flyers e outros quetais, como micareta. “Micareta é a denominação dada no Brasil ao ‘carnaval fora de época'”, diz a Wikipedia. A micareta paulistana, como se vê, acontece em pleno domingo de carnaval.
“Mas micareta é carnaval o ano todo, não é? Então vale também para domingo de carnaval”, foi a resposta que a reportagem ouviu de Bismark Lewis, da equipe de divulgação do bloco. “No fundo, o nome é mais para chamar a atenção mesmo”, completou Amanda Gi, da mesma equipe.
Prolegômenos conceituais à parte, a concentração começou às 15h – e a festa, cerca de uma hora depois – em frente à balada Blue Space, reduto clássico de drag queens em São Paulo, na esquina da Rua Brigadeiro Galvão com a João de Barros, na Barra Funda.
No repertório, axé e música eletrônica – com pitadas de funk de letras impublicáveis ao leitor de respeito. No palco montado ali na rua, primeiro teve música gravada, depois show de Tammy Santos e banda. Os foliões se divertiram com Segura o Tchan, da já clássica banda É o Tchan!, dos anos 1990, Na Base do Beijo, de Ivete Sangalo, Praieiro, de Jammil e Uma Noites, Olha a Onda, de Tchaka Bum…
Abadá – Se o carnaval de Salvador era a inspiração para o bloco, não faltaram adereços típicos na folia. Em vez de fantasias, o que mais se via ali era o abadá laranja – vendido a R$ 35, dava direito à entrada VIP na balada Blue Space a partir das 19h, onde a festa deveria prosseguir.
Entre os carnavalescos, a crise era o discurso predominante. “É a primeira vez que passo o carnaval em São Paulo. Na atual situação, não dá para gastar em viagem”, disse a supervisora comercial Juliana Lau, de 27 anos.
Por conta do público cativo da Blue Space, muitos dos foliões eram da comunidade GLBT. “Vim aqui por causa desse público. É a certeza de que não vai ter briga e a festa vai ser tranquila, afirmou o bailarino e professor de dança Flavio Scaramal, de 36 anos. “Este é o bloco que tem mais a ver com a gente”, completou o especialista em logística Gabriel Sala, de 23 anos.
Folião de primeira viagem, o auxiliar administrativo Bruno Aguilar de Souza, de 21 anos, disse que foi “arrastado” por amigos. “É a primeira vez que me animo a encarar um bloco em São Paulo. Pretendo em ir em outros nos demais dias”, disse.
A música eletrônica do repertório também funcionou como um chamariz, um diferencial no carnaval para quem gosta desse estilo. “Vim por indicação de amigos, porque é o som que ouço, diferente do comum do carnaval”, afirmou o segurança Gleyson Estevão Ribeiro, de 21 anos. “Este é o meu bloco por causa da música eletrônica”, resumiu a especialista em contratos Priscila Benedicto, de 23 anos.
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