Publicado em 22/02/2016 às 19h45.

Apostólico-romano, Carballal declara guerra contra arrastão

Vereador apresentou projeto polêmico na Câmara Municipal para proibir qualquer evento em Salvador na Quarta-Feira de Cinzas

Fernando Valverde
Foto: Antonio Queirós/CMS
Foto: Antonio Queirós/CMS

 

O vereador Henrique Carballal (PV) apresentou na tarde desta segunda-feira (22) um projeto de lei que promete criar polêmica dentro da Câmara Municipal de Salvador. O político quer acabar com as festas carnavalescas que ocorrem na Quarta-Feira de Cinzas e proibir qualquer atividade em espaços públicos das 5h às 23h59. Em entrevista ao bahia.ba, o verde usou seu conhecimento histórico para endossar a importância da proposta. “O que nós precisamos entender é que o carnaval existe porque ele faz parte de um calendário litúrgico e está inserido dentro de uma lógica católica. Então, veja, a Quarta-Feira de Cinzas é um dia religioso que, inclusive, garante o carnaval enquanto feriado nacional. Logo, o carnaval é um feriado católico, ou seja, se você invade a Quarta-Feira de Cinzas com eventos carnavalescos, você perde o sentido do carnaval”, afirmou o vereador.

“Essa lei tem o intuito de proibir qualquer tipo de trio elétrico, equipamento de som, banda musical em espaços públicos durante a quarta-feira com previsão de multas pesadas e até uso de força policial para apreensão de equipamentos de quem desobedecer a lei”, declarou. Questionado se a medida seria prejudicial à execução da festa, o edil foi categórico: “Não é nenhum projeto anti-carnavalesco. Apresentei esse projeto agora, porque hoje eu tenho musculatura dentro do segmento para poder enfrentar as resistências que vierem a existir e ninguém vai poder me acusar de ser inimigo da festa. Muito pelo contrário, se tiver algum vereador carnavalesco na Câmara, pode ser parecido comigo, mas mais do que eu não tem nenhum”.

Arrastão – Segundo Carballal, o projeto visa também o resgate do significado da folia, que hoje seria estigmatizado por causa da nomenclatura atribuída a ela. “Essa briga começou lá atrás com Dom Lucas Moreira Neves, justamente na época que surgiu esse tal de arrastão, que é inclusive um nome muito feio para a Bahia continuar utilizando como potencial turístico. Não serve nem como marketing e deixa uma má impressão em quem vem de fora”, opinou.

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