Deputados batem boca; petista diz que Lula vai concorrer em 2018
Os parlamentares, colegas da AL-BA, tiveram uma discussão acalorada sobre qual partido é o mais corrupto

A discussão política ficou acalorada no estúdio da Rádio Vida FM 106,1, na manhã desta terça-feira (1°). Os deputados estaduais Pablo Barrozo (DEM-BA) e Marcelino Galo (PT-BA) bateram boca sobre qual partido é o mais corrupto durante o programa Uziel Tá na Área, com Evilásio Junior – mesmo com as críticas dos interlocutores ao jogo de empurra-empurra que situação e oposição fazem com assuntos de serviços públicos essenciais à população.
A primeira pauta do debate foi sobre o troca-troca no Ministério da Justiça, no qual José Eduardo Cardozo foi substituído pelo baiano Wellington Cesar Lima e Silva. Para o petista, a mudança foi positiva. “O ministro estava cansado. Agora vem uma pessoa com capacidade grande do ponto de vista jurídico, tem todas as prerrogativas para fazer grande gestão ao lado de [Jaques, ministro-chefe da Casa Civil] Wagner”, opinou. Quem também elogiou o promotor foi o democrata, mas disse que Wellington não ajudará em nada o estado. “Ele tem preparo jurídico, foi uma escolha técnica. Desejo que faça um bom trabalho. Acredito na sua pessoa, mas, sinceramente, ser ministro do governo federal, à beira de acabar, não traz benefício para a Bahia”, apontou.
Fantástico – Questionado sobre a declaração do secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, que negou a existência de crise em sua área, durante matéria do programa Fantástico, da Rede Globo, Marcelino criticou o que chamou de “mistificação” da reportagem, pois não mencionou a participação da prefeitura, só a do governo. “O povo elegeu o governador e o prefeito, que são duas instâncias que têm que dialogar administrativamente. Os governos estadual, federal e municipal estão ligados constitucionalmente. A matéria mistura. Não separa a obrigação de quem é de fato. A prefeitura tem suas obrigações, o governo tem as dela. Ao invés do ‘ataca-ataca’, temos que fazer o ‘ganha-ganha’. Temos que reconhecer que é um ponto fundamental. Se deveria discutir isso de forma compartilhada. Cada um cumprindo sua obrigação constitucional. Foi uma matéria mal feita, faz muita mistificação”, repreendeu.

“Sabemos que desde que nos entendemos por gente que existe [problema na saúde]. Quem sabe um dia nós vamos acabar com esse problema. Mas quando o prefeito de Salvador, ACM Neto, assumiu tinha apenas 18% de atenção básica, agora tem 50%. Tinha só uma UPA [Unidade de Pronto Atendimento], hoje são seis UPAs. O Hospital Municipal de Cajazeiras até maio deve começar a ser construído. O município é o que recebe menos. A repórter Cristina Serra [da Rede Globo, que fez a reportagem sobre a precarização da saúde na Bahia] esteve com o secretário municipal de Saúde, José Antônio Rodrigues Alves, em três postos. De fato, estavam cheios, mas todos estavam sendo atendidos”, rebateu.
Bate-boca – O clima esquentou quando Pablo atacou o governo da presidente Dilma Rousseff e, ao defender o impeachment, questionou se houve golpe com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor, quando o PT pediu o afastamento de ambos do cargo. “O DEM tem coerência nas suas ações. Não apoiamos esse governo e somos oposição. Não foi golpe quando queriam que FHC fosse afastado? O impeachment de Collor não foi golpe, né? As 40 pessoas que cercavam Lula e agora cercam Dilma estão presas. Infelizmente, é difícil acreditar que eles estão lá sem saber de nada. O impeachment é um direito legal a quem não tem condições de governar. O Brasil não tem respeito dos brasileiros, imagina lá fora. Dilma foi eleita com dinheiro sujo e continua no governo”, acusou. O democrata citou ainda os casos de corrupção protagonizados pelo ex-senador Demóstenes Torres (GO) e o ex-governador do Distrito Federal José Arruda, para argumentar que “os presos ou os que provaram ilegalidade” foram expulsos do seu partido, o que não aconteceu com o PT. “Infelizmente, em Brasília, se instalou uma quadrilha que tem afundado o país. As pessoas estão sentido o peso da mudança”, declarou, ao completar que a mudança no Ministério da Saúde, comandado pelo peemedebista Marcelo Castro, se deu para acomodar o PMDB e ganhar votos da legenda no Congresso.

A palavra “quadrilha” fez o petista se irritar. “O partido mais corrupto é o Democratas, que tem a maior quantidade de cassados por improbidade administrativa. São números. O deputado é incoerente e injusto com o PMDB, que é aliado dele aqui [na Bahia]. Principal aliado do prefeito ACM Neto, e o deputado falando do ministro do PMDB por causa do governo Dilma. Eu respeito o senhor, mas é uma falta de respeito. Não pode acusar de quadrilha, pois seu partido tem muito ladrão. Os que não estão presos é porque a polícia foi seletiva. A oposição está fora do governo, pois o povo tirou, e não vai voltar com golpe porque não vamos deixar”, disse.
Marcelino ainda afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se candidatar em 2018. “Nossa liderança vai voltar e comandar esse país porque foi projeto que melhorou a vida dos trabalhadores. Esse povo [oposição] não gosta de pobre, não gosta de preto”, afirmou. Pablo não perdeu a oportunidade de contra-argumentar. “Seria cômico se não fosse trágico. Tentam misturar como se fossem iguais. Existe, sim, uma quadrilha. A PF está prendendo essa quadrilha. O deputado falta com a verdade quando fala que o DEM é o partido mais corrupto, porque os políticos foram presos ou algo parecido. Ele [Marcelino] está alterado porque o fim dessa quadrilha está próximo, elegeram postes Rui Costa e Jaques Wagner que afundam o nosso estado em uma má administração. Eles elegem aqui por causa dessa forma de prometer Ferrovia Oeste-Leste, ponte Salvador-Itaparica, o diabo a quatro. A população não quer saber disso”, concluiu.
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