É sexta-feira, dia 13. Vai encarar?
Supersticiosos temem a combinação entre o dia da semana e o número cabalístico. Mas de onde vem o mito?
Fosse supersticioso, o bancário José Bastos Filho teria motivos de sobra para temer os sortilégios de uma sexta-feira 13. Afinal, ele nasceu no mês do desgosto, agosto, segundo a crendice popular, e ainda por cima no dia 13, combinação cabalística com potencial para lhe trazer muito azar na vida. Mas que, nada! Pai de família, com mulher, filhos e netos, Bastos Filho se acha um cara sortudo e diz que vai brindar mais uma sexta-feira 13 com um bom gole de cerveja gelada. “Depois do expediente, naturalmente”, ressalva com rima e tudo.
Bem humorado, o bancário é uma daquelas pessoas destemidas e capazes de desafiar os maus humores do azar, como passar debaixo de uma escada, quebrar um espelho e cruzar, despreocupadamente, com uma cambada (o coletivo desses felinos) de gatos pretos, às 13h13min13seg de uma 13ª sexta-feira 13. De preferência em agosto. Se 13 é um número azarado? O safo bancário sugere: “Pergunte ao PT”. De qualquer sorte (ou azar?), não será nada boa esta sexta-feira para os petistas envolvidos no escândalo do petrolão, como aliás, não vem sendo boa nenhuma sexta-feira e, de resto, todos os dias da semana.
Já outras pessoas, diferente de Aleixo, se pudessem saltavam da quinta-feira 12 para o sábado 14. Mas seria muito azar se, por ventura, quebrassem o pé no salto, por praga de uma sexta-feira 13 desprezada na semana e que agisse nos bastidores do calendário com requinte de data vingativa.
O mito – Não há evidências na história da humanidade de que o 13 tenha trazido qualquer mau agouro para algum povo. Para o nativos do Egito, por exemplo, a vida tinha 12 estágios diferentes – o 13º consistia na vida eterna. Talvez essa associação subliminar com a morte tenha atraído o preconceito para o número, embora os egípcios vissem essa passagem como um processo de transformação e evolução.
Mas, de onde afinal, viria o mito da Sexta-feira 13 como um dia negativo? Entre os católicos, existe a crença de que Jesus Cristo teria sido crucificado e morto em um dia como esse. Além disso, os apóstolos participantes da última ceia eram 13 – Judas Iscariotes, o 13º, viria a trair Jesus, logo após aquele banquete.
Na história contemporânea, alguns acontecimentos acabaram por reforçar o mito. Em 1939, um incêndio florestal causou a morte de 71 pessoas na Austrália, em uma sexta-feira 13. No Brasil, em 13 de dezembro de 1968, o governo militar decretou o AI-5, o mais duro golpe nas liberdades democráticas do brasileiro.
Que o 13 é um número controverso não se discute. Mas nem pense em tirá-lo completamente de sua vida. Afinal, muita gente não gosta do 13, mas ninguém abre mão do 13º salário. Ou não?…
Colaboração: Jaciara Santos
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