Publicado em 19/03/2020 às 20h31.

Geriatra explica incidência de morte por coronavírus entre idosos: ‘É grave’

Especialista alerta ainda para a suspensão dos medicamentos de hipertensão: “De maneira alguma está indicado”

Tailane Muniz
Foto: Reprodução/Freepik
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Até a noite desta quinta-feira (19), o Brasil confirmou sete mortes em decorrência do novo coronavírus, o Covid-19. Todos idosos, com idade entre 62 e 65 anos. A Bahia ainda não registrou mortos, mas já tem transmissão comunitária. Até o momento, soma 31 casos. Destes, ao menos dez têm 50 anos ou mais. Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-BA), o geriatra Leonardo Oliva explica que a incidência nos mais velhos tem ligação com o sistema imunológico.

Embora não haja, ainda, explicações e pesquisas extensas sobre o novo coronavírus, que já matou 3.405 pessoas na Itália, Leonardo explica que a pandemia apresenta, contudo, indícios de que as crianças são “mais imunes”. “Já sabemos que o Covid está relacionado ao sistema imunológico porque, por exemplo, temos a morte de uma única criança [13 anos], que não era tão nova assim. Quando a gente diz que os idosos pertencem a um grupo de risco, significa que eles são parte de uma camada que, pelas doenças crônicas, estão expostos ao agravamento, o que torna o caso mais grave”.

Leonardo esclarece que, por mais que as pessoas enxerguem como “uma coisa boba”, gripe é algo grave. No caso do novo coronavírus, por ser um vírus novo, cuja vacina ainda não circula, acrescenta o médico, não pode ser negligenciado. “A gente chama de resfriado gripe aquela coisa leve. Mas é uma coisa séria, é febre alta dor de cabeça forte, é a possibilidade de desenvolver pneumonia”.

O risco de morte, afirma o médico, é real – especialmente entre os idosos que são portadores das crônicas como a diabetes e a hipertensão, a exemplo das duas pessoas mortas no Rio de Janeiro. “Apesar da mortalidade ser muito baixa, mesmo entre os idosos, os casos que evoluíram mal, tendem a evoluir para a morte de entre uma e duas semanas”.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

 

Doenças crônicas
Aqueles que têm mais de 60 anos, contudo, não devem se desesperar. Oliva explica que a primeira coisa a ser feita é não interromper a utilização dos medicamentos. “A gente não sabe ainda o mecanismo de adoecimento do coronavírus, então é importante que as pessoas não interrompam o tratamento das doenças crônicas, que não têm cura. De maneira alguma é indicado a suspensão desses remédios”, reitera o médico, que atende no Hospital Aliança, em Salvador.

Isso porque há, segundo o geriatra, a possibilidade de que determinados remédios para a pressão estejam relacionados aos casos mais graves. “Mas não tem qualquer confirmação. Então, continuar tomando os remédios, inclusive, mantém ao menos isso controlado”.

E há, sim, a possibilidade de um idoso de mais de 60 anos ter um sistema imunológico capaz de passar bem pelo Covid-19, comenta. “Existem pessoas de 70 até mais saudáveis do que uma de 60, mas isso depende de hábitos, das escolhas que elas fizeram ao longo da vida. Mas doenças como diabetes, e a própria idade, enfraquecem o sistema imunológico, daí a incidência [dos casos]”.

O mais importante para evitar o contágio globalizado, defende o especialista, é que os idosos evitem sair de casa, como já orientou o Ministério da Saúde e, posteriormente, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). “Só sair se a necessidade for real. Não receber visitas, evitar visitar pessoas, tentar o máximo de isolamento social”, completa Leonardo Oliva, que condena o uso de máscaras de maneira indiscriminada.

O porquê, segundo ele, é a possibilidade de se expor ainda mais à doença. Pessoas desacostumadas podem passar a levar ainda mais as mãos à boca, olhos e nariz – potenciais portas de entrada para o contágio, lembra o médico. Para além disso, os mais velhos devem comer bem, dormir bem e, por ora, suspender até os exames de rotina.

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