Paralisia da economia levará país à crise social a partir de julho, avalia equipe de Guedes
Pasta estima que não haverá dinheiro no caixa caso seja preciso prorrogar políticas emergenciais de socorro à população e empresas

O ministro Paulo Guedes (Economia) planeja uma retomada controlada das atividades para evitar o mergulho do país no caos social a partir do segundo semestre, informa reportagem do jornal Folha de S. Paulo.
Segundo a publicação, diversos fatores levam a equipe de Guedes a prever que a economia entrará na UTI com as atividades paradas em razão da pandemia do novo coronavírus.
Dentre as principais preocupações está o fato de que não haverá dinheiro disponível no caixa se, após junho, for preciso renovar o prazo das políticas emergenciais de socorro à população e empresas.
Os gastos da União com a pandemia, incluindo a ajuda de R$ 600 para os trabalhadores informais, já levam o Orçamento deste ano para um déficit de R$ 600 bilhões.
Nota técnica da pasta, por outro lado, estima que cada semana de isolamento impediu o país de produzir R$ 20 bilhões em riquezas. Se confirmado, será o maior recuo do PIB desde 1901, segundo dados do IBGE.
Na avaliação de técnicos da área econômica, como continuam de portas fechadas, empresas de pequeno porte passaram dois meses sem acesso ao crédito diante das dificuldades do governo em estruturar mecanismos de garantias para os empréstimos.
Conforme dados internos da pasta, essas companhias registram um índice de falência sem precedentes. Elas respondem por mais de 80% dos postos formais de trabalho.
Mudança de discurso
Na quarta-feira (13), o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, divulgou uma projeção de queda de 4,7% no PIB (Produto Interno Bruto). Antes, havia previsão de alta de 0,02%.
Nesse cenário, há uma mudança de discurso no time de Guedes de afrouxamento das medidas de isolamento social. A guinada vai ao encontro das declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Diferentemente do chefe, o ministro havia apoiado o confinamento como forma de conter o avanço do coronavírus.
As medidas em estados e municípios já perduram dois meses.
Projeções da Economia com base nos dados do seguro-desemprego indicam que, por enquanto, as demissões decorrentes da crise gerada pelo coronavírus representaram menos de 800 mil postos.
A avaliação, contudo, é a de que poderá superar 5 milhões até o fim do ano se a paradeira for prolongada. Essas empresas são as grandes empregadoras, especialmente nas regiões mais afastadas do país.
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