Publicado em 23/03/2016 às 19h36.

Baianos incluídos em ‘listão da Odebrecht’ negam irregularidades

Lista de pagamentos da Odebrecht, capturada por investigadores da Lava Jato – que supostamente comprovaria um esquema de caixa 2 da empreiteira –, relaciona 33 baianos

Ivana Braga
Foto: J.F.Diorio/ Estadão Conteúdo
Foto: J.F.Diorio/ Estadão Conteúdo

 

Todos os políticos localizados pelo bahia.ba negaram ter recebido qualquer valor ilegal em suas campanhas. Uma lista de pagamentos da Odebrecht, capturada por investigadores da Operação Lava Jato – que supostamente comprovaria um esquema de caixa 2 da empreiteira (ver aqui, aqui e aqui) –, relaciona os nomes de 33 políticos baianos. O secretário municipal da Fazenda, o ex-governador Paulo Souto (DEM) – que disputou as eleições estaduais de 2010 e consta como beneficiário de R$ 1 milhão –, informou, por meio de nota, que todos os recursos recebidos em sua campanha, inclusive as doações efetuadas ao diretório estadual do Democratas, “cumpriram as normas pertinentes da legislação eleitoral”. A reportagem não conseguiu contato com o ex-governador Jaques Wagner (PT), atual chefe do Gabinete Pessoal da Presidênciaque teria recebido R$ 3 milhões durante sua campanha ao governo baiano.

Em resposta à inclusão do seu nome, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PSL), disse ao bahia.ba estar “absolutamente tranquilo” em relação ao assunto. O parlamentar admite ter recebido doação da empresa investigada pela Operação Lava Jato, mas argumenta que os recursos entraram em sua campanha de forma legal. “A doação foi feita ao partido (referência ao PDT, legenda que integrava na época), que ficou com um porcentual e repassou o restante. Tudo foi devidamente declarado na minha prestação de contas à Justiça Eleitoral. Não houve nenhuma irregularidade”, diz Nilo.

Já o prefeito de Camaçari, Ademar Delgado (PCdoB), por meio de sua assessoria, explicou que, como candidato, “não tratava de questões financeiras” e, por isso, orientou sua equipe a “apurar os fatos antes de se pronunciar”.

A reportagem não conseguiu contato com os demais candidatos a prefeito de cidades da Região Metropolitana de Salvador que disputaram as eleições municipais de 2012 citados na lista da empreiteira.

Prefeituráveis – Mais cedo, sobre os valores aplicados na campanha eleitoral de 2012, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), informou, em nota distribuída à imprensa, nesta quarta-feira (23), que as doações da empreiteira à sua campanha seguiram todas as normas da legislação eleitoral. “A Odebrecht repassou recursos para o Democratas e o partido transferiu para a campanha, dentro do que determina a lei. Está tudo contabilizado na prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral”, diz o comunicado.

O radialista Mário Kertész, que disputou as eleições de 2012 pelo PMDB, disse ao bahia.ba não ter referência sobre doações à sua campanha. O ex-candidato tratou a questão em tom de ironia e afirmou ter gostado mesmo da divulgação do apelido em que é identificado na lista. “Não tenho nada a comentar, a não ser que gostei muito do codinome Roberval. Me lembra o personagem de Chico Anysio, Roberval Taylor”, brincou o radialista.

Já o deputado federal licenciado Nelson Pelegrino (PT) – atual secretário de Turismo da Bahia – declarou, em nota encaminhada à reportagem, que “as doações recebidas para campanhas eleitorais aconteceram rigorosamente dentro dos parâmetros legais. As referidas doações foram declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, que analisou e aprovou as contas”.

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