Publicado em 24/03/2016 às 08h40.

Renan cobra do CNJ providências contra “eventuais excessos”

Sem citar diretamente o juiz Sérgio Moro, o presidente do Senado afirmou que “o país está aguardando as providências do CNJ contra eventuais excessos

Agência Brasil
(Foto: Lia de Paula/ Diário do Poder)
Foto: Lia de Paula/ Diário do Poder

 

O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta quarta-feira (23) que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi criado para “tomar providências” em caso de eventuais excessos que ocorram no Poder Judiciário.

Sem citar diretamente o juiz Sérgio Moro, contra quem a bancada petista apresentou na quarta-feira (22) petição disciplinar no CNJ, Renan afirmou que “o país está aguardando as providências do Conselho Nacional de Justiça contra eventuais excessos que possa ter havido no Judiciário, se é que houve excessos”. Renan ressaltou que “não cabe ao Senado” dizer se houve. “A palavra está com o CNJ”, acrescentou.

Renan Calheiros disse que está preocupado com a possibilidade da crise político-institucional se agravar com a ingerência de um poder sobre outro.

“É evidente que as instituições no Brasil estão funcionando, verdadeiramente funcionando. Ontem, eu disse que tinha uma preocupação a mais. É que, no momento de crise, quando uma instituição se preocupa em grilar função de outra, ela acaba colaborando com o agravamento da crise.”

Ele também procurou explicar as declarações de terça aos jornalistas, quando informou que, “para haver impeachment, é preciso que seja caracterizado o crime de responsabilidade. Se não houver essa caracterização, não é impeachment, tem outro nome”.  Na terça,  Renan disse que a preocupação é que o processo siga o modelo constitucional, mas que se houver essa caracterização “ele deve prosseguir”.

Odebrecht- “Levar adiante um processo de impeachment que não tenha caracterização do crime de responsabilidade é muito ruim. O noticiário do dia que passou [ontem] foi no sentido de que, para configurar o crime de responsabilidade, alguns setores do Congresso Nacional tentariam juntar a delação do [senador] Delcidio do Amaral (sem partido-MS). Isso não é um bom debate para a democracia e nem para o pais”, afirmou.

Ao deixar o Senado, o presidente foi questionado sobre a lista de políticos que teriam recebido dinheiro da Odebrecht. Apreendida na 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Acarajé”, a lista e foi divulgada hoje pela imprensa.

“Eu nunca cometi impropriedade. Essas citações, do ponto de vista da prova, não significam nada. Absolutamente nada. Eu sempre me coloquei à disposição, sempre tomei a iniciativa para pedir qualquer investigação que cobram. Acho que a diferença é exatamente essa, você ter as resposta para dar”, concluiu.

Temas: impeachment , Senado , Renan , CNJ

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