Saiba o que é burnout, síndrome que afeta 30% dos brasileiros e que afastou Jéssica Senra da TV
Transtorno é consequência de condições de trabalho desgastantes

Esgotamento físico e mental, insônia, mudanças bruscas no humor e dificuldade de concentração são alguns dos sintomas da Síndrome de Burnout, distúrbio psíquico caracterizado por um estado de exaustão extremo provocado por condições de trabalho desgastantes.
O transtorno é muito comum no Brasil atualmente. Segundo pesquisa realizada pela International Stress Management Association (ISMA-BR), 70% dos brasileiros sofrem as consequências do estresse.
Destes, 30% são vítimas do Burnout. Apresentadora do Bahia Meio Dia, da TV Bahia, a jornalista Jéssica Senra entrou para essas estatísticas. Recentemente, ela foi diagnosticada com princípio da doença. “Cada um tem vivenciado suas próprias questões pessoais e profissionais. No caso dos jornalistas, a pandemia trouxe uma carga de informação enorme, muito trabalho e mais um monte de angústias, preocupações, medos, tristezas… além de ataques gratuitos de pessoas ignorantes que canalizaram suas próprias frustrações para nós”, disse.
Mas você sabe o que é essa síndrome? O psiquiatra Lúcio Botelho, que é diretor-médico, idealizador e co-fundador da OMNI – Centro de Terapias Biológicas, explica um pouco.
“A pessoa com Burnout mostra dúvidas em suas próprias capacidades, nervosismo e fadiga, dificuldade de se concentrar em tarefas e preocupação excessiva com trivialidades. Além disso, tende a imaginar cenas negativas, perturbadoras ou assustadoras e apresentar humor depressivo. Essa sintomatologia se traduz em ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas no humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, angústia e tristeza, pessimismo e baixa auto-estima”, afirma.
Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver o transtorno. Porém, o psiquiatra ressalta que a síndrome de esgotamento profissional não é restrita e pode afetar qualquer pessoa, desde celebridades estressadas até funcionários sobrecarregados e donas de casa.
“A Síndrome de Burnout é resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Seu diagnóstico é clínico e leva em consideração o histórico do paciente e seu envolvimento e realização pessoal no trabalho. Aplicação de escalas também ajudam a estabelecer o diagnóstico”, destaca o especialista, que também é que também é diretor-médico do Espaço Nelson Pires, hospital psiquiátrico de Salvador.
Síndrome de Burnout e depressão: entenda a diferença
A Síndrome de Burnout compartilha sintomas com a depressão e os transtornos de ansiedade, como insônia, fadiga, irritabilidade, tristeza, desinteresse, apatia, angústia, inquietação, prejuízos de atenção e memória. Para um diagnóstico, Lúcio Botelho explica que o Burnout deve ser empregado exclusivamente a fenômenos no contexto ocupacional e não devem ser aplicados para descrever experiências em outras áreas da vida.
“A síndrome de esgotamento profissional envolve atitudes e condutas negativas com relação a usuários, clientes, organização e trabalho, sendo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o indivíduo e empresa. O estresse tradicional não envolve tais atitudes e condutas”, esclarece o psiquiatra.
Hora de procurar ajuda
Quem tem contato diário com problemas de outras pessoas, como os profissionais de saúde, educação e segurança, devem procurar ajuda quando sentir que suas energias e recursos emocionais parecem ter se exaurido diante de uma relação estressante, adoecida com o trabalho. Sintomas somáticos como dores, insônia, fadiga e comportamentos como angústia e abuso de substâncias como cafeína, álcool, etc, também indicam que um profissional de saúde deve ser consultado.
“É preciso ficar atento para a perda da sensibilidade emocional nas relações interpessoais, passando a tratar as pessoas e situações com frieza e distanciamento afetivo. Maior criticidade, diminuição de autoconfiança e autoconceito negativo também chamam a atenção”, destaca Botelho.
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