Morro de São Paulo festeja suas belezas de olho nos cassinos
Prefeito busca ajuda da União para construir aeroporto de grande porte

E eis que a Câmara dos Deputados aprovou a lei que libera os chamados jogos de azar (cassinos, jogo do bicho e afins). Bolsonaro diz que vai vetar, mas em Brasília o papo é que o veto cai.
A bancada evangélica já reage: diz ver aí a porta aberta para a lavagem de dinheiro (como se Sílvio Santos e outros não vivessem do jogo). Que ironia. Os cassinos foram proibidos em 1946 pelo presidente Eurico Dutra, a pedido da mulher dele, dona Carmela, uma católica fervorosa.
Os cassinos vieram para o Brasil no Império, foram proibidos em 1917, reabilitados em 1934 e de novo proibido em 1946, na época, deixando 40 mil pessoas desempregadas e transformando o Brasil num dos três únicos países em que tais jogos são proibidos. E será que agora vai? Eis a questão.
Aeroporto
Mas é claro que as antenas estão ligadas. Ainda festejando o fato de a Quarta Praia, em Morro de São Paulo (foto), ilha de Tinharé, no arquipélago de Cairu, ter sido escolhida pelo Travelers’ Choice, do Tripadvisor, como uma das dez melhores praias do mundo, Hildécio Meirelles (DEM), o prefeito, diz estar olhando atento o desenrolar da tramitação da lei que libera dos jogos.
— Não tenha dúvidas de que, se as portas se abrirem lá para a instalação de cassinos, abriremos as nossas cá.
Hildécio já está empenhado com o ministro Luiz Eduardo Ramos, o General Ramos, que lá esteve duas vezes, para construir um aeroporto. Está pavimentando o futuro (em geral, claro).
Excelência no arquipélago
Cairu é o segundo maior município arquipélago do Brasil (perde para Ilhabela, no Rio), com 16 ilhas, três delas, Cairu, Boipêba e Tinharé, outras três menores e menos badaladas.
É em Tinharé que fica Morro de São Paulo, conectado pelo oceano com Garapuá (outro point de celebridades, entre eles o italiano Andrea Boccelli) e por dentro da baía, com Gamboa do Morro. Hildécio Meirelles, o prefeito de Cairu, formou uma comissão para estudar as formas de ocupação das conexões que ele chama ‘Gamboa-Zimbo, Zimbo-Garapuá.
— Vamos estudar tudo, a situação atual, as tendências de ocupação, organizar a base legal disso tendo como foco a qualidade ambiental.
Ou seja, deixar tudo como é, bonito e gostoso.
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