As inúmeras vantagens da felicidade no trabalho
Segundo um dos maiores investigadores de Harvard em psicologia positiva, Shawn Achor, ambientes felizes compreendem uma das maneiras mais bem-sucedidas de avançar no mundo dos negócios
Mais um ano está terminando, tristemente arrastado por uma enxurrada de crises: brasileiras e mundiais, econômicas, políticas e humanitárias. No meio da lama, da guerra, do medo e do desemprego, nos pegamos refletindo sobre o significado da vida, do trabalho, “para que viver”, o que fizemos e o que não fizemos no ano que passou, o que podemos e o que devemos fazer daqui pra frente…
De um lado, as geraçoes do pós-guerra, de opções limitadas, que lutaram pela busca da estabilidade em grandes empresas ou em carreiras claramente definidas, como medicina, direito e administração, convencidas de que seriam felizes e, ao final, devidamente recompensadas na aposentadoria. Gerações essas que estao vivendo as angústias, culpas e consequências de um desgaste do planeta sem precedentes, com uma profunda sensação de que precisam fazer alguma coisa.
Do outro lado, as novas gerações imediatistas, multitarefas e hiperconectadas, que já não acreditam mais no “sonho da felicidade futura”, comprado por seus pais. Aprenderam que não precisam esperar as propagandas, podem ver o que quiserem, quando quiserem, e têm o controle da informação, apesar de muitas vezes serem controlados por ela. Esses jovens buscam uma vida com significado, querem ter saúde, ser felizes hoje, viver aqui e agora, se realizar, trabalhar naquilo que gostam e em prol de uma causa maior do que eles próprios.
Esse é o grande desafio da enorme maioria das nossas organizações atuais, que sustentam modelos de gestão ultrapassados, cada vez mais incapazes de inspirar suas equipes mais experientes na busca dos sonhados resultados, muito menos de conquistar essa nova juventude, que em 2025 representará 75% da forca de trabalho mundial.
Nem chegou o novo ano e já entramos firme num período muito difícil para a maioria dos negócios no Brasil: crise política, freada da economia, queda da demanda, perda do grau de investimento, alta dos juros e da inflação, depreciação da moeda brasileira e retração do PIB. Como sempre ocorre em períodos de recessao, as empresas tomam decisões duras, demitem, cortam custos, aumentam a pressão no trabalho, questionam seus talentos, reduzem as perspectivas de crescimento profissional e instalam um clima de terror e lamentação em seus corredores. Em cenários infelizes como esse, temos duas opções: escolher o pessimismo e desistir dos resultados, ou adotar uma atitude positiva e enfrentar a situação.
Enfrentar a situação significa se reinventar, aproveitando as oportunidades escondidas na crise para dar uma guinada na rotina, buscar mais qualidade de vida ou fazer um ajuste na carreira para encontrar o verdadeiro propósito. Por outro lado, as empresas podem adotar novos conceitos de gestão, como forma de adaptação a um cenário em contínua transformação, inspirando a criação de uma nova empresa, capaz de oferecer aos profissionais não apenas perspectivas de desenvolvimento e carreira, mas, sobretudo felicidade e significado naquilo que fazem.
Felicidade no trabalho não significa ausência de problemas, muito menos uma visão que ignora dificuldades e conflitos, mas um ambiente que encoraja a realização que as pessoas buscam e são capazes de alcançar. Significa otimismo, energia, diversão, valorização das fortalezas e das emoções positivas, da solidariedade e da sustentabilidade, da curiosidade e do aprendizado, tolerância ao erro, apoio à vida saudável, ao equilíbrio vida x trabalho, incentivo a que as pessoas façam aquilo que elas amam de verdade, que tenham amigos no trabalho, que sejam simples, gentis, que lembrem de agradecer. Será que é difícil imaginar que quanto mais feliz é o ambiente, mais é capaz de produzir melhores resultados?
Segundo um dos maiores investigadores de Harvard em Psicologia Positiva, Shawn Achor, ambientes felizes compreendem uma das maneiras mais bem-sucedidas de avançar no mundo dos negócios. Ainda segundo Shawn Achor, um bom exemplo é a MetLife. Essa gigante de seguros descobriu que os agentes mais otimistas de suas equipes vendiam 37% mais seguros do que os pessimistas. Além disso, os agentes mais otimistas tinham metade da probabilidade de se demitir do que os pessimistas. Sabendo disso, a MetLife mudou suas práticas de contratação para focar no otimismo. Em poucos anos, a MetLife viu despencar sua taxa de rotatividade de funcionários e sua parcela no mercado aumentar em quase 50%.
De uma coisa todos nós sabemos: o estresse nunca vai desaparecer da vida corporativa, então as empresas precisam de conexões positivas para prevenir o esgotamento dos seus times e a pobreza na tomada de decisões. A felicidade melhora os resultados dos negócios, porque melhora a inteligência, a criatividade, a precisão e a energia das pessoas. Resumindo, cérebros felizes geram menos custos e funcionam significativamente melhor do que os infelizes. As empresas mais bem-sucedidas já perceberam que ignorar a felicidade é uma receita para o fracasso.
Seguem algumas ideias para promover a felicidade no seu trabalho e aproveitar suas inúmeras vantagens: incentivar pequenas caminhadas durante o expediente, começar as reuniões ressaltando as coisas positivas e não os problemas, escrever um e-mail curto por dia elogiando alguém do seu time, colocar uma mesa de ping-pong para as pessoas jogarem nos intervalos, realizar um ato de bondade aleatório uma vez por dia, meditar em sua mesa por cinco minutos, fazer alguma atividade física diária por vinte minutos, usar dois minutos para descrever diariamente a coisa mais importante que tenha vivido nas últimas 24 horas.
Conclusão: Cultive novos hábitos e seja feliz! Ser feliz é um bom negócio e ensinar o cérebro a ser positivo não é muito diferente de treinar os músculos na academia. Estudos recentes sobre neurociência afirmam que o cérebro mantém a capacidade de mudar, ou seja, independentemente da idade, ao adquirir novos hábitos, a pessoa automaticamente muda a configuração do seu cérebro.
Adriana Prado tem 25 anos de experiência em Recursos Humanos. Atualmente mora no México, é mestranda em liderança positiva e consultora da empresa equatoriana “The Edge Group”, pioneira em programas de crescimento pessoal e organizacional, através da aplicação das descobertas da Psicologia Positiva, a Ciência da Felicidade.
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