Publicado em 15/12/2023 às 19h30.

Reprodução assistida ajuda casais com HIV ou sorodiscordantes a terem filhos sem o vírus

Segundo estimativa do Ministério da Saúde, um milhão de pessoas vivem com o vírus HIV no Brasil

Redação
Imagem: Pixabay

 

De acordo com estimativa do Ministério da Saúde, um milhão de pessoas vivem com o vírus HIV no Brasil. Graças aos avanços da medicina e a evolução dos medicamentos antirretrovirais, hoje o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é tratável e o paciente consegue viver com a carga viral suprimida ou indetectável, sem transmitir o vírus e sem desenvolver a doença, a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Ao contrário de quando surgiu, nos anos 80, o diagnóstico do HIV não é mais uma sentença de morte e os portadores do vírus podem levar uma vida normal, trabalhar, constituir família e ter filhos.

Com o avanço nos tratamentos de pessoas portadoras do vírus e com a ajuda das técnicas de reprodução assistida, o casal soropositivo ou sorodiscordante (quando uma pessoa vive com o vírus e a outra não) pode ter filhos biológicos sem o risco de transmissão do vírus para o bebê ou da contaminação de um parceiro para o outro. No entanto, ao decidir ter filhos, é fundamental que o portador de HIV passe por uma avaliação clínica muito criteriosa junto ao infectologista, ginecologista ou urologista e especialista em medicina reprodutiva.

Nos casos em que a mulher é portadora do HIV e deseja engravidar, é fundamental que ela esteja com a carga viral indetectável e com boas condições clinicas e de imunidade. Além disso, ela não deve amamentar para proteger o bebê de ser infectado pelo vírus. A via de parto deve ser criteriosamente escolhida com base na carga viral e na indicação obstétrica, sendo possível parto normal, desde que a carga viral esteja indetectável.

Segundo a médica especialista em Reprodução Humana Gérsia Viana, ‘é uma gestação que exige um acompanhamento médico muito individualizado e cuidados específicos’.

Já nos casos em que o homem é portador do HIV, antes da Fertilização in Vitro, é realizado o processamento do sêmen no laboratório de reprodução assistida, que permite uma separação da parte espermática (onde estão presentes as células de defesa e as partículas virais) dos espermatozoides. Essa espécie de lavagem, quando repetida por 3 vezes, torna as chances de se encontrar vírus na amostra próxima de zero. Então esse sêmen “livre do vírus” pode ser utilizado com segurança. Dessa forma, o risco de transmissão horizontal (entre os parceiros) e vertical (entre a mãe e o feto) seria mínimo. O método é utilizado quando apenas o homem está infectado e permite que o casal sorodiscordante gere filhos sem riscos de contaminar a mulher e o bebê.

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