Apuração de acidente de trem na Itália mira chefe de estação
O inquérito aberto pela Procuradoria de Trani trabalha com a hipótese de crime de desastre ferroviário e homicídio culposo

A Procuradoria de Trani, que apura o acidente ferroviário que matou 23 pessoas na região italiana da Puglia na última terça-feira (12), colocou sob investigação funcionários da estação de Andria, de onde partiu um dos trens envolvidos na tragédia.
Segundo os promotores, a composição não deveria ter sido liberada para seguir viagem, já que outra, proveniente de Corato, nos arredores de Bari, percorria os trilhos no sentido inverso. As duas se chocaram frontalmente na saída de uma curva, em um trecho de binário único. A equipe da estação de Corato também está sendo investigada.
O inquérito aberto pela Procuradoria de Trani trabalha com a hipótese de crime de desastre ferroviário e homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. Os alvos são todos funcionários da Ferrotramviaria, empresa privada que administra o ramal.
No momento, as atenções estão voltadas aos responsáveis pelas estações de Andria e Corato. “É verdade, aquele trem não deveria ter partido. E eu levantei o sinal verde. Não sabia que de Corato estava chegando outro trem, por isso autorizei”, disse Vito Piccarreta, chefe da estação de Andria, em entrevista ao jornal La Repubblica.
O homem afirmou estar desesperado, mas negou ser o único responsável pela tragédia. “Um só erro não pode ter causado tudo isso”, acrescentou. A dinâmica exata do acidente ainda não está clara, mas é certo que o trem de Andria saiu com 10 minutos de atraso, permitindo a colisão.
Outro foco da investigação é descobrir se houve falhas no sistema de segurança do ramal ferroviário e se a não conclusão de um projeto de duplicação da linha – a obra deveria ter terminado em 2015 – teve caráter decisivo no incidente. De qualquer forma, os maquinistas dos trens, ambos mortos no desastre, foram absolvidos.
Pelo que o inquérito apurou até aqui, os condutores sequer tiveram tempo de reagir quando deram um de frente com o outro. Além disso, só deixaram suas respectivas estações porque foram autorizados.
No Hospital Policlínico de Bari, onde estão os corpos das vítimas, o clima era de consternação, dois dias após o acidente. Na manhã desta quinta-feira (14), os familiares dos mortos se reuniram na frente do prédio e começaram a gritar, em lágrimas, “assassinos”.
Durante a tarde, eles serão recebidos em Bari pelo presidente da Itália, Sergio Mattarella.
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