Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
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Publicado em 05/09/2025 às 14h46.
Bell Marques completa 73 anos: relembre clássicos do Chiclete com Banana
Jambo completa 35 anos e Menina dos Olhos chega aos 30, reforçando a trajetória da banda no axé music e no Carnaval de Salvador
João Lucas Dantas

O cantor e multi-instrumentista baiano Washington “Bell” Marques da Silva completa 73 anos, nesta sexta-feira (5). Para celebrar a data, o bahia.ba destaca dois grandes discos do Chiclete com Banana que completam, respectivamente, 35 e 30 anos de lançamento: Jambo e Menina dos Olhos.
Jambo
Lançado em 24 de maio de 1990, o quarto álbum da banda, Jambo, completa 35 anos de história neste ano. O disco reúne nove faixas que totalizam 33 minutos de duração. Em 1990, o Chiclete com Banana já era uma banda consolidada de axé music, com os irmãos Bell e Wadinho Marques como pilares do grupo. Formada em 1980, a banda foi uma das pioneiras do gênero e se consagrou no Carnaval de Salvador.
Na época, a formação contava com Bell Marques nos vocais e guitarra, Wadinho Marques nos teclados, Rey Gramacho na bateria, Cacik Jonne (1954–2019) na guitarra, Waltinho Cruz e Deny na percussão e Lelo no contrabaixo.

Lançado pelo selo Gel, da Continental Discos, a capa icônica que mostra os rostos dos integrantes no espaço foi idealizada pela dupla Nildão e Renatinho, com direção de arte de Toshito Yamasaki, fotos de Alba Vasconcelos e maquiagem de Wilson D’Angelo.
Entre as faixas que marcaram época, destacam-se Magia (composta por Bell e Wadinho, não a homônima de Luiz Caldas); Quiribamba, também de autoria da dupla de irmãos; Broto, escrita pelo vocalista; duas parcerias com o músico Carlinhos Brown em Ylê Farol e Camalionina; além de Fazer Amor e ABC do Prazer, de Jonne com Lula Sibemol e Val Macambira.
No Carnaval de Salvador, Jambo ajudou a consolidar ainda mais o Chiclete com Banana como uma das bandas mais populares da folia momesca. As faixas eram presença garantida nos trios elétricos e blocos da folia, com destaque para a música-título. Nas rádios e na mídia, o álbum teve grande execução nas estações do Nordeste, e o sucesso ajudou a banda a alcançar um público mais amplo em outras regiões do Brasil. A crítica destacou o vigor do grupo e a energia típica do axé da época. O público respondeu bem, abraçando o disco como trilha sonora do verão.
Letras como “Linda tua vida é livre como a madrugada/ Mistura teu reino no meu/ E me faça feliz/ De uma forma banal/ Eu não sou quase nada/ Pra seu prazer, muito prazer” marcaram o momento da axé music.
Confira o momento em que a banda se apresentou no Domingão do Faustão, na TV Globo, em 1990, performando Fazer Amor:
Menina dos Olhos
Já o décimo segundo disco do grupo, Menina dos Olhos, lançado em 30 de março de 1990, é considerado um marco na carreira do Chiclete com Banana, consolidando ainda mais a banda como uma das principais atrações do axé music. Com 11 faixas, que somam 39 minutos, a obra foi mais um grande acerto na época, e completam 30 anos em 2025.
Produzido por Bell Marques e Wadinho Marques, o disco foi lançado pelos selos BMG Ariola e RCA, em formatos CD, LP e K7. A direção de arte ficou novamente a cargo de Toshito Yamasaki, enquanto a fotografia foi assinada por Alba Vasconcelos e a maquiagem por Wilson D’Angelo.
Na época do lançamento, a banda contava com Bell Marques nos vocais e guitarra, Wadinho Marques nos teclados, Rey Gramacho na bateria, Cacik Jonne na guitarra, Waltinho Cruz e Deny na percussão, e Lelo no contrabaixo. Esse conjunto contribuiu para consolidar o som característico do grupo, mesclando energia, ritmo e a identidade do axé que o público conhecia e apreciava.

A obra traz um repertório variado, com faixas como Pode Chover, de Alaim Tavares; Nana Ê, de Wadinho, Alexandre Peixe e Leonardo Provedel; Menina do Cateretê, de Bell, Chocolate e Paulinho Camafeu (1948–2021); Selvagem Camaleoa, de Jorge Zarath e Ditto; Luz da Vida e Foi o Mar, Me Pegue Se Quiser, todas de Bell; Saia Rodada, de Tavares, Gilson Babilônia e Lula Carvalho; Navego à Toa e Desejo de Amor, da dupla de irmãos; e Chiclete na Boca, de Peixe com Bell.
O disco reforçou a imagem do Chiclete com Banana como banda capaz de unir músicos talentosos a um repertório que agradava diferentes públicos, do folclore do axé ao pop mais comercial. Em termos comerciais, o álbum contribuiu para manter o grupo entre os artistas de maior vendagem do gênero durante meados dos anos 1990.
Letras como “Pode chover, relampejar, trovão roncar/ Raio cair, mas eu chego aí“, se tornaram hinos da banda.
História na carreira do Camaleão
Apesar de informações oficiais sobre as vendagens dos discos não estarem disponíveis, eles trouxeram músicas que caíram no gosto do público carnavalesco, fortaleceram o carisma de Bell como frontman e marcaram a presença da banda em grandes trios elétricos. Além disso, a sonoridade de Jambo e Menina dos Olhos trouxe elementos que seriam a base do axé daquela década: muito percussivo, dançante e voltado para a energia do Carnaval.
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