Publicado em 29/10/2015 às 18h38.

Com grande público, Panorama de Cinema começa em Salvador

Longa do baiano Sérgio Machado lotou as quatro salas do Unibanco Glauber Rocha

Fernando Valverde

Em noite de casa cheia, coube a um baiano iniciar a maratona de 133 filmes entre longas e curta-metragens que compõem a 11ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema. Ainda faltavam duas horas para o início da sessão quando os ingressos para as quatro sessões de Tudo que aprendemos juntos do baiano Sérgio Machado se esgotaram.

“É uma honra estar lançando o filme em casa, próximo dos amigos e parentes, com tantos baianos como eu e o Lázaro envolvidos nesse projeto e em um festival tão importante como o Panorama. Isso não acontecia no tempo em que eu morava em Salvador, não tinha essa movimentação toda. É realmente incrível que um filme baiano e brasileiro tenha conseguido gerar tanto interesse.”, comentou o diretor.

O longa, protagonizado pelo também baiano Lázaro Ramos, conta a história de um violinista baiano que após alguns reveses na carreira, acaba dando aulas de instrumentos em uma comunidade carente da favela de Heliópolis-SP.

“Duas coisas me trouxeram para esse filme. A primeira é que sou filho de músicos e fui criado na Orquestra Sinfônica da Universidade da Bahia. Meu pai tocava trompa, minha mãe tocava fagote e, como eu não tinha babá, ficava ali brincando de ser maestro. Então, foi uma oportunidade de resgatar esse tema da minha infância e homenagear meus pais. A segunda coisa, foi a possibilidade de fazer um filme grande, que falasse dos problemas brasileiros e das mazelas, mas que fosse a partir do ponto de vista de alguém que tivesse algum tipo de esperança, de que a gente não está fadado ao fracasso”

Tudo que aprendemos juntos triunfa justamente na abordagem que dá a esse ponto de vista. Como o diretor ressaltou, a base de tudo está na educação e na busca pelo conhecimento. Apostando em uma interessante dinâmica de crescimento entre seus personagens, o filme conquista o público apesar de algumas concessões maniqueístas do roteiro e um desenvolvimento falho do seu protagonista, vivido por Lázaro Ramos em uma performance interessante. Através do jogo corporal do ator, que revela muito mais do escopo do personagem do que o próprio roteiro, percebe-se a retração dele em um ambiente que não conhece (a favela) e naquele em que o intimida (a orquestra).

O longa, que movimentou o interesse do público baiano, tem estreia programada para 20 de dezembro, batendo de frente com grandes lançamentos como o novo Star Wars. “O que faz os filmes acontecerem é a mobilização, as pessoas falarem do filme, as pessoas indicarem o filme” comentou Fabiano Gullane, produtor do filme, ressaltando a importância das redes sociais para a divulgação da obra. “Festivais como o Panorama são essenciais para incentivar essa produção nacional e o interesse audiovisual do público pela cinematografia brasileira já que, muitas vezes, tais filmes não têm um bom desempenho em circuito comercial. Fazer cinema no Brasil é uma batalha e nem sempre o público quer comprar”, finalizou o diretor.

 

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.