Cidade pernambucana usa piabas para controlar o Aedes aegypti
Reportagem da BBC Brasil, explora a técnica da cidade de Itapetim, no sertão Pernambucano

O cenário da cidade de Itapetim, no sertão Pernambucano, é ideal para a reprodução do mosquito Aedes aegypti. O município, de clima muito quente, está há quase quatro anos sem água nas torneiras. São abundantes as caixas d’água espalhadas pelas ruas e dentro das casas.
Segundo as autoridades locais, com o corte dos repasses estaduais e federais para o combate ao mosquito e o desinteresse dos moradores em cumprir o básico para evitar o surgimento de novas larvas, um “exército natural” foi convocado: as piabas, peixinhos de água doce que medem entre 4 e 5 centímetros.
Em reportagem da BBC Brasil, Edinaldo Hollanda, agente da saúde da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e coordenador de Combates às Endemias no município, contou que a ideia veio de um estudo feito no Rio Grande do Norte. “Um colega nosso que já tinha trabalhado em outra cidade com esse método da piaba disse que lá eles conseguiram controlar os mosquito. Eu o contatei e ele veio nos ajudar a fazer o mesmo”.
O método consiste na colocação dos peixes em reservatórios fechados e abertos: tonéis, caixas d’água e principalmente cisternas, já que o Aedes aegypti prefere lugares escuros e com água parada para se reproduzir. A piaba se alimenta dos ovos e impede que virem novos mosquitos.
“Começamos a colocar as piabas no mês de abril e fizemos o trabalho até julho. Em setembro, notamos que o índice do nosso município tinha baixado muito, para 1,2%. Agora, estamos em 2,4%, menos do que no mesmo período no ano passado. O pessoal da regional (10ª gerência regional de saúde, que dá apoio a 12 municípios na área) quase não acreditava. Deu tanto resultado que até hoje continuamos colocando peixes nas casas”, afirma Hollanda.
Todos os dias, os nove agentes de endemias do município saem da secretaria de saúde com cerca de 20 “kits de piabas”, com cinco peixinhos cada, para visitar residências na cidade.
Técnica pontual
Infelizmente, a técnica parece ser efetiva apenas em locais pontuais. De acordo com o secretário de Saúde de Pernambuco, Iran Costa, um grupo de estudo pesquisa a possibilidade de realizar a mesma técnica em escala maior, em outras cidades do estado.
Ele reforça que, por enquanto, as medidas preventivas ainda são as mais efetivas no combate contra o mosquito. “O ser humano é o principal agente de controle biológico. A coisa funciona quando é baseada na comunidade. Não dá para pensar nisso (na técnica dos peixes) nem para uma cidade de cinco mil pessoas. Tampar os reservatórios com tampa rígida ou touca de tela. Esse é o principal enfoque que se pode dar para o combate ao mosquito. Dessa forma, não haverá larvas”, completa
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