Publicado em 17/12/2015 às 11h44.

Alagoinhas: Primeira trans pretende disputar prefeitura no Brasil

Samara Diamond Fonseca Braga, 32 anos, é pré-candidata ao Executivo municipal pelo PSOL

Maurílio Fontes / Alagoinhas Hoje
Foto: Maurílio Fontes/Alagoinhas Hoje
Foto: Maurílio Fontes/Alagoinhas Hoje

 

Samara Diamond Fonseca Braga, 32 anos, é pré-candidata à Prefeitura de Alagoinhas, no nordeste baiano, pelo PSOL. Soteropolitana, ela mora na cidade há 10 anos e acredita que sua pretensão poderá ajudar no debate sobre o futuro do município. Ela se reconhece como mulher transgênera heterossexual, não vê necessidade da cirurgia de redesignação sexual e mantém relacionamento estável com seu marido há uma década.
Conta que o caminho para se assumir mulher não foi fácil, a começar pelas reações familiares, os preconceitos sociais e até mesmo autoafirmação pessoal. Hoje, diz, não é um problema que a impeça de seguir em frente na busca da felicidade individual e caminhos coletivos para melhorar a sociedade.
A filiação ao PSOL aconteceu no início de 2015. Samara justifica seu ingresso na política em razão do cansaço e da experiência concreta de ver o sofrimento das minorias, que em seu entendimento não possuem em Alagoinhas políticas públicas voltadas para suas mais urgentes necessidades.
Os transgêneros, de acordo com Samara, não podem ficar circunscritos ao ambiente da prostituição e precisam se qualificar profissionalmente. Sua pré-candidatura objetiva discutir a questão, que lhe afeta diretamente, mas não ficará restrita aos temas da comunidade LGBT. “Os negros, os quilombolas, que têm presença marcante em Alagoinhas, e outros segmentos minoritários terão projetos de inserção social em nosso programa de governo”, salienta.
A pré-candidata cita como ação pública relevante o Transcidadania, criado pela gestão do prefeito Fernando Haddad e dirigido à população trans da cidade de São Paulo. Basicamente, o projeto capacita profissionalmente os interessados, proporciona acompanhamento médico e encaminha para postos de trabalho. “Com isso, a prostituição deixa de ser compulsória porque oportunidades de empregos são oferecidas”, pontua.
Samara registra que nas duas administrações do prefeito Paulo Cezar (PDT) não foram estabelecidas políticas públicas consistentes para os transgêneros de Alagoinhas, cujo quantitativo não é de seu conhecimento. “O governo municipal precisa estar na vanguarda desta questão, que é contemporânea, visando nos oferecer alternativas, sem paternalismo”, reivindica a postulante, ao acrescentar “que o atendimento médico é uma das prioridades não atendidas pela gestão atual”.
Sem acompanhamento, a automedicação é regra quase absoluta na comunidade trans.
Projetos – Eleitora de Lula nas disputas de 2002 e 2006, Samara entende que o Partido dos Trabalhadores traiu seus ideais. O PSOL foi a alternativa natural para fazer política em Alagoinhas.
Por considerar a educação como base formadora de uma nação, ela acredita que a valorização dos professores, a melhoria das condições físicas das escolas e a implantação de novos currículos são alternativas para melhorar a prática pedagógica. “O ensino do século XX não pode ser admitido em pleno século XXI”, assegura.
A implantação nas escolas municipais da educação em tempo integral é outro objetivo da pré-candidata do PSOL. A comunidade quilombola, com presença em Alagoinhas, será contemplada em suas propostas a partir da valorização cultural, inclusão social e qualificação profissional. “Não podemos concordar com a invisibilidade de segmentos que compõem a sociedade alagoinhense e é preciso que eles tenham voz na construção das políticas públicas sob a responsabilidade do governo municipal”, defende.
A mobilidade urbana é outro tema relevante. Para ela, Alagoinhas necessita de intervenção para privilegiar as ciclofaixas em detrimento do transporte poluente, que impacta na qualidade de vida das pessoas. Outra preocupação de Samara é o meio ambiente, principalmente as lagoas e rios, que se encontram em estado de degradação. “O recente desenvolvimento de Alagoinhas está vinculado à agua e por isso mesmo precisamos agir visando preservar nossos mananciais”, acredita.
Receptividade
Apesar do conservadorismo da sociedade alagoinhense, Samara avalia como muito positiva a receptividade à sua possível candidatura ao Executivo. “Os apoios estão acima daquilo que eu esperava”, garante.
Ela diz ser a primeira transgênera a ser candidata majoritária em nível municipal no Brasil. Com o título “Samara Brazilian Mayoral Candidate”, o site planetttransgender.com publicou em inglês matéria do Alagoinhas Hoje sobre a pré-candidata do PSOL.

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