Publicado em 06/04/2017 às 10h57.

Macri enfrenta primeira greve geral em 16 meses de governo

As duas principais centrais sindicais argentinas exigem aumentos salariais para acompanhar a inflação, que em 2016 foi de 40%

Redação
Foto: Reprodução BBC TV
Foto: Reprodução BBC TV

 

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, enfrenta nesta quinta-feira (6) a primeira greve geral em 16 meses de governo. O movimento foi puxado pelas duas principais centrais sindicais do país, que exigem aumentos salariais para acompanhar a inflação, de 40% em 2016, além de reclamar medidas para compensar a perda de empregos, causada pela politica de abertura econômica.

O governo argumenta que não pode dar aumentos muito superiores à meta inflacionária deste ano, de 17%, e assegura que as medidas adotadas (entre elas, o reajuste dos preços dos serviços públicos, congelados desde a crise de 2001) vão atrair investimentos e tirar o país da recessão. Como não houve acordo, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) decidiram paralisar o transporte público e o país, enquanto as organizações sociais de esquerda se mobilizaram para bloquear as principais vias de acesso aos centros urbanos.

Cerca de 800 voos foram cancelados, inclusive para o Brasil. Os trens, o metrô e os ônibus não circularão até a meia-noite. O líder sindical dos motoristas de táxi, Omar Viviani, chegou a ameaçar os que furarem a greve, com a promessa de “virar os carros”. Ele acabou convocado para depor, perante a Justiça, acusado de atentar contra a liberdade do trabalho.

Nos primeiros três meses deste ano, Macri enfrentou uma manifestação sindical (em março), uma greve de professores e centenas de protestos isolados, além de piquetes (bloqueios de estradas). Porém, o presidente também recebeu o apoio de milhares de argentinos que saíram às ruas no sábado (1º) em apoio ao governo.

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