Ciclos, começos e recomeços
A nossa vida é feita de ciclos e eles precisam fechar para que outros se abram, pois, são parte do processo de nosso crescimento

Passada a ressaca das festas de réveillon, embora aqui na Bahia o novo ano só tenha início, verdadeiramente, depois do Carnaval, talvez já tenhamos tomado consciência de que o que experimentamos foi apenas mais um dia que passou, mais um mês que findou, mais uma fatia da vida que acabou, enquanto outra se inicia. Afinal, a vida é muito rica e muito complexa para obedecer as regras de um simples calendário.
A nossa vida é feita de ciclos, e eles precisam fechar para que outros se abram, pois, são parte do processo de nosso crescimento pessoal, profissional, familiar, social, enfim nada é definitivo, nada é eterno e nada é para sempre, portanto, queiramos ou não, os ciclos da vida vão se suceder e não há nada que possa ser feito para detê-los. Assim, se a vida começa e termina com uma interrogação, é sempre importante saber pontuá-la com vírgulas, reticências, pontos continuativos e finais. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, sabendo deixar no passado os momentos da vida que já se findaram.
Assim, não importa se na noite de réveillon você se vestiu de branco, pulou sete ondas, guardou sete caroços de romã na carteira e/ou comeu lentilhas, pois se nada disso lhe fez um bem, também não lhe prejudicou.
Nesse sentido, Carlos Drummond de Andrade já nos ensinava que: “é sempre possível recomeçar… Não importando onde você parou, em que momento você cansou… O importante é que é sempre possível recomeçar. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo… É renovar as esperanças na vida e, o mais importante… Acreditar em você de novo”.
Na marcha inexorável do tempo, a vida é refletida em movimentos de começos e recomeços, e se o novo ano começou… Recomece também o curso da sua vida. Mas recomece diferente, pois, é feliz quem é capaz de passar com serenidade os momentos em que nem tudo ocorre de acordo com o planejado, ou em que tudo parece dar errado.
A vida é história e como toda história, tem seu início, seu desenvolvimento e, um dia, chega ao fim. Nesse contexto, enquanto não chega ao fim definitivo, a vida é feita de vários começos. Ou podemos dizer de recomeços. Afinal, sábio é aquele que consegue fazer bom uso dessa dinâmica da vida: renovando as rotinas, refazendo os planos, retomando o caminho depois de uma queda, aprendendo com as decepções, e estabelecendo novas metas…
Nessa lógica, se considerarmos a vida sob a perspectiva do passar dos anos, perceberemos que essa sucessão de ciclos, começos e recomeços, acima de tudo, é um constante processo de possibilidades de construção de aprimoramento. Assim como diz Lya Luft: “Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.”.
Antonio Jorge Ferreira Melo é coronel da reserva da PMBA, professor e coordenador do Curso de Direito do Centro Universitário Estácio da Bahia e docente da Academia de Polícia Militar.
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