Médico que zombou de paciente nas redes sociais pede desculpas
Guilherme Capel Pasqua, de Serra Negra-SP, foi neste final de semana à casa do mecânico José Mauro de Oliveira Lima, de 42 anos, para se retratar

Após ter zombado de um paciente nas redes sociais por ele ter falado errado as palavras “pneumonia” e “raio X”, o médico plantonista Guilherme Capel Pasqua, de Serra Negra, no interior de São Paulo, foi neste fim de semana à casa do mecânico José Mauro de Oliveira Lima, de 42 anos, para pedir desculpas. “Eu errei, me arrependi e me sinto mal com isso”, postou o médico na mesma página da rede social em que havia escrito “Não existe peleumonia e nem raôxis”.
“Este pedido de desculpas vai a todos os brasileiros que se ofenderam com a brincadeira da ‘peleumonia’. O sr. José Mauro hoje tornou-se meu amigo”, informou na postagem.
Após a brincadeira, Pasqua foi demitido do Hospital Santa Rosa de Lima, onde dava plantões. Mesmo assim, se dispôs a ajudar a organização não governamental Reviver, que apoia a instituição, oferecendo-se para realizar plantões voluntários, nos quais o dinheiro arrecadado seria destinado ao hospital.
O mecânico contou ter ficado surpreso com a visita do médico. “Foi inesperado, mas gostei da atitude dele de vir pedir desculpas. Eu o desculpei, pois é uma pessoa boa que teve um momento errado”, afirmou. “Ele é muito jovem e vai aprender com o tempo, não vou guardar mágoa disso.”
Lima disse que considera Pasqua um bom médico que teve uma atitude errada. “Ele atende muito bem, minha esposa acha que é um bom médico. Espero que volte a trabalhar no hospital.” Segundo o paciente, o médico disse que vai cuidar dele até que se recupere totalmente da pneumonia.
A direção do Hospital Santa Rosa de Lima, onde Pasqua dava plantões por meio de uma empresa terceirizada, informou nesta segunda-feira (1º) que ele não deve prestar mais serviços à instituição.

Reações – “Foi bom ele se retratar, mas, infelizmente, por conta do ocorrido, ele foi desligado do nosso quadro de colaboradores. Espero que não faltem opções de trabalho para ele em outros locais”, disse o advogado Leandro Tomazi, do departamento jurídico do hospital.
A atitude do médico, formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), repercutiu nas redes sociais. “É muito palhaço, se fosse com minha família, abria um processo”, postou a internauta Cellia Lima.
“Não sejamos extremistas, o que ele fez foi ridículo, mas ele reconheceu o erro e pediu desculpas. Todos merecem uma segunda chance”, escreveu Fernando Rodrigues.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu sindicância para apurar se a conduta do médico feriu o código de ética da profissão. A apuração deve levar de seis meses a dois anos.
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