Publicado em 14/05/2020 às 17h20.

Rui: ‘Não pode haver disputas partidárias. Quanto mais coesão, mais vidas salvas’

Em debate online promovido por TJ-BA e CNJ, governador critica posicionamento do Governo Federal ao minimizar os efeitos da pandemia

Arivaldo Silva
Reprodução Youtube
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Em debate online promovido nesta quinta-feira (14), pelo Comitê Executivo Baiano do Fórum Nacional da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o governador Rui Costa falou sobre a letalidade do coronavírus, a velocidade do avanço nas taxas de propagação e criticou o posicionamento do Governo Federal ao minimizar os efeitos da pandemia.

“É muito difícil sair de uma pandemia como essa sem uma coordenação nacional. A maior crise sanitária dos últimos 100 anos que está alcançando tantos países e pessoas no mundo inteiro. Um vírus traiçoeiro. No Brasil, em particular, tem se mostrado muito mais difícil a condução dessa crise. Diferente de outros países onde existe uma unidade de ação para enfrentar o vírus e um grande esforço na busca por respiradores. Infelizmente, aqui não temos esse apoio do Governo Federal. Cada estado tem de se virar. Vemos orientações muito diferentes do presidente da República querendo guerra com os governadores, minimizando o potencial destrutivo do vírus e clamando a população a ir às ruas”, pontuou Rui.

Costa foi enfático ao dizer que a união entre governo estadual, a prefeitura de Salvador e com os prefeitos dos municípios com maiores taxas de transmissão é crucial para reduzir a curva de crescimento de mortes pelo vírus.

“As sociedades que estão conseguindo enfrentar essa crise são as que conseguiram maior coesão. Não pode haver disputas partidárias, nem de Governo Federal ou estadual. Quanto mais conseguimos coesão em nossas estratégias, mais vidas conseguimos salvar. Nos preocupa o crescimento dos casos em alguns locais, por isso estamos alinhando as ações juntamente com os prefeitos para vencermos essa luta por vidas humanas”, ressaltou.

Contratação de médicos

O governador afirmou ainda que a estruturação de leitos de UTI e a captação de novos médicos são prioridades no enfrentamento ao coronavírus na Bahia. “A taxa de mortalidade de quem é intubado é de 50%. Com isso, nosso esforço é de estruturação dos equipamentos e leitos de UTI. Outra situação de escassez é a de médicos. Penso que teremos de acionar a Justiça para contratar médicos, sejam eles formados no Brasil, ou fora do país. Me estranha a posição das entidades de classe que são contra essas contratações. Em outros países até regularização de cidadania estão sendo oferecidas a esses de profissionais de qualquer parte do mundo”.

Impactos da pandemia na economia x saúde pública

O debate, transmitido em rede social do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), contou com ainda com a participação  do prefeito de Salvador, ACM Neto, do Coordenador do Comitê Estadual do Fórum Nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mário Augusto Albiane Jr., da  assessora especial da presidência do Conselho Federal de Medicina (CFM), Clarice Alegre Petramale, integrante do Fórum Nacional de Saúde do CNJ.

“Restringimos atividades que eram necessárias. Uma decisão pautada em critérios técnicos e científicos. Desde o início do enfrentamento à pandemia, não tivemos dúvidas que a prioridade absoluta sempre foi lutar pela saúde pública. Não temos dois caminhos, não há uma escolha a ser feita. Só há o caminho de preservar a saúde. Respeitando quem defende a questão econômica, mas não tem como achar que a economia vai crescer com milhares de óbitos acontecendo todos os dias no Brasil”, ponderou ACM Neto.

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