Morre o músico Naná Vasconcelos no Recife
O percussionista, que estava internado no Hospital da Unimed, no Recife, desde o último sábado, teve parada respiratória e faleceu na manhã desta quarta

Um dos maiores percussionistas do país, Naná Vasconcelos, morreu, na manhã desta quarta-feira (9), aos 71 anos, no Recife, vítima de um câncer de pulmão. Segundo informações do Hospital Unimed III, onde estava internado, por volta das 7h o músico teve uma parada respiratória e passou por um procedimento, mas não resistiu.
Ele estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o último sábado (5), por complicações da doença. O último boletim médico, divulgado na noite desta terça (8), afirmava que seu estado de saúde era “bastante grave”. Detalhes sobre o velório será anunciado ainda nesta quarta-feira.
Em 2015, o artista passou mais de 20 dias no mesmo hospital, após descobrir o câncer. Segundo Patrícia Vasconcelos, esposa e produtora do músico, Naná passou mal após um show realizado em Salvador, na Bahia, no dia 28 de fevereiro, com o violoncelista Lui Coimbra. Ao retornar ao Recife, foi internado.
No ano passado, ele também passou mal antes de um show, mas achou que não era nada demais e seguiu com a agenda. No Recife, após uma bateria de exames, foi constatado o câncer. Depois de pouco mais de 20 dias de liberado, Naná falou sobre como ele mantinha o pensamento positivo para enfrentar a doença. O músico prosseguiu com o tratamento, que incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia, por 40 dias.
Mesmo doente, Naná participou da abertura do Carnaval do Recife no Marco Zero neste ano na companhia de 400 batuqueiros. Em seu último carnaval, o percussionista dividiu o palco com o Clube Carnavalesco Misto Pão Duro, grupo centenário homenageado no carnaval do Recife, com o Maracatu Nação Porto Rico, também celebrado, e com os cantores Lenine e Sara Tavares, de Cabo Verde.
Vida – Como Juvenal de Holanda Vasconcelos no registro oficial, o apelido de Naná foi dado pela sua avó ainda criança. Sua relação com a música sempre foi de amor e conexão, como ele mesmo descrevia. No ano de 1960, Naná deixou o Recife e foi morar no Rio de Janeiro, onde gravou dois discos com Milton Nascimento. Já com o cantor Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livro, que acompanhou Geraldo Vandré no icônico Festival da Canção.
A obra de Naná é respeitada e reconhecida dentro e fora do Brasil. Alguns de seus feitos, como o grande percussionista e músico que foi, estão nas gravações com B.B King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, um dos grupos precursores do movimento “new wave”. No Brasil, ele participou de álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A.
Seu talento foi reconhecido oito vezes, quando foi eleito por revistas especializadas em música nos Estados Unidos, como o melhor percussionista do mundo. Naná acreditava que a música podia transformar e melhorar a vida das pessoas e por isso levava adiante diversos projetos sociais como o “Língua Mãe”, que reuniu crianças de três continentes: América do Sul, Europa e África.
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