Éder Ferrari desabafa: ‘fechei a porta para empresários bandidos’
No depoimento, o ex-dirigente fala sobre o legado que deixa no time e fala sobre as dificuldades que viveu no período de um ano e sete meses

Após ter a sua demissão anunciada publicamente, o agora ex-gerente de futebol do Bahia, Éder Ferrari, desabafou em seu perfil no Instagram, nesta sexta-feira (8). No depoimento, o ex-dirigente fala sobre o legado que deixa no time e fala sobre as dificuldades que viveu no período de um ano e sete meses.
“Ontem recebi a notícia de que não continuaria o trabalho no meu Bahêa. Sentimento de frustração e, de certa forma, de alívio. Do meu primeiro dia no clube ao último, não houve um sequer sem que pedissem minha demissão. “O que ele faz?”; “Só está por ser amigo do presidente”; “Sanguessuga”, etc. Até de mercenário fui chamado. O modos operandi, infelizmente, não muda. Bater de frente com o sistema não é fácil! Fechei a porta do clube para muitos empresários bandidos, que só faziam surrupiar o Bahia. E isso tem um preço”, escreveu.
Além de Éder, foram desligados do clube o preparador físico Réverson Pimentel e o jogador Danilo Pires, que já assinou contrato com o Santa Cruz. Os jogadores Thiago Ribeiro, Hayner e João Paulo Penha estão afastados e devem deixar o clube em breve.

Confira o texto na íntegra:
“Ontem recebi a notícia de que não continuaria o trabalho no meu Bahêa. Sentimento de frustração e, de certa forma, de alívio. Do meu primeiro dia no clube ao último, não houve um sequer sem que pedissem minha demissão. “O que ele faz?”; “Só está por ser amigo do presidente”; “Sanguessuga”, etc. Até de mercenário fui chamado.
O modos operandi, infelizmente, não muda. Bater de frente com o sistema não é fácil! Fechei a porta do clube para muitos empresários bandidos, que só faziam surrupiar o Bahia. E isso tem um preço. Criaram uma pressão de fora para dentro, venderam mentiras, boatos infundados e levaram torcedores desinformados a acreditar no que não existia. Mas estou tranquilo. O mal por si só se destrói. Vida que segue e tenho certeza que o Bahia vai voltar para a primeira divisão esse ano.
O clube e a nação merecem! Trabalhar dessa forma é muito sofrido, desgastante, injusto. Porém, saio com a consciência tranquila e sentimento de dever cumprido. Três palavras resumem esses quase 19 meses no Bahia: gratidão, orgulho e legado. As mensagens de carinho e consternação de pessoas de todos os departamentos do clube provaram isso. Receber ligação de um funcionário do mais alto gabarito, chorando copiosamente pela minha saída, é desconcertante, porém acalenta o coração. Me entreguei de corpo e alma no desafio e deixo o clube em um outro patamar.
Claro que não fiz sozinho, mas não posso esconder esses méritos. Vestiário, fisioterapia, preparação física, alojamento, divisão de base, rouparia, DM… Todos esses setores têm meu dedo na reestruturação física. Saíram da Série Z para a Série A. E isso me dá muito orgulho. E não deixo “apenas” patrimônios físicos no clube. Muitos atletas que estavam perdidos, consegui recuperar para o clube. Não preciso citar nomes, mas foram muitos mesmo. Patrimônio! Vida que segue!”.
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