Morto em briga de palmeirenses e corintianos não gostava de futebol
O idoso que foi atingido por um tiro na zona leste de São Paulo, chama-se José Sinval Batista de Carvalho, de 53 anos, era baiano de Parapiranga

A polícia conseguiu identificar a vítima das brigas entre palmeirenses e corintianos, no último domingo. O idoso que foi atingido por um tiro na praça do Forró, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, chama-se José Sinval Batista de Carvalho, de 53 anos, baiano de Parapiranga. A identificação foi feita graças à comparação das impressões digitais com o cadastro da polícia e confirmada pelo reconhecimento dos familiares no IML Leste, em Arthur Alvim. O enterro será nesta sexta-feira, no Cemitério da Saudade.
Os familiares contam que a divulgação de um retrato falado pela polícia foi fundamental para que o alerta amarelo pelo sumiço de Sinval, ele era conhecido assim, virasse certeza de algo ruim. Até então a família acreditava que ele estava na casa da namorada, Cida. Morador do bairro Nova São Miguel, o baiano costumava passar o final de semana com ela no Jardim Helena. Era comum ficar uns dias fora, sem dar satisfação. Além disso, era uma pessoa reservada.
Sinval morava em uma casa de dois cômodos com seus dois irmãos, dona Selma e seu José Celso. Sinval era o do meio. Nos finais de semana, ele sumia para se divertir. Não fumava, não usava drogas, mas gostava de uma cervejinha. No sábado, ele tinha ido a um churrasco e ficou na casa da Cida.
Saiu pela manhã e nem os familiares sabem ao certo o que foi fazer na praça do Forró. A irmã desconfia que ele ia pegar o trem para Francisco Morato para ver a filha, Débora, fruto de um antigo relacionamento. Os sobrinhos não sabem dizer se ele ia para a igreja, como cravaram algumas testemunhas. Cida não havia sido localizada nesta quinta-feira para dar sua versão. Nem Débora. Os detalhes da vida privada de Sinval ficam ainda mais esparsos porque os irmãos moravam todos no mesmo endereço, mas a entrada da casa era independente, na parte de cima do sobrado. Assim, não havia muita proximidade.
Outro motivo da demora na identificação era o fato de Sinval ter arrumado um emprego fixo apenas recentemente. Aos 53 anos, ele vivia fazendo “bicos” com horários muito variados. Ele foi “chapa”, uma espécie de guia para os caminhoneiros que chegam a São Paulo. Em troca, recebia uns trocados. Nos últimos meses, ele virou entregador de água. Desde domingo, a sala onde armazenava os galões para entrega a domicílio está fechada. O patrão, Guilherme, também estranhou a ausência desde o começo – era para ele que Sinval dizia onde estava.
Dona Selma conta que Sinval não gostava de futebol, não tinha tatuagens e talvez nem soubesse que domingo era dia de Palmeiras x Corinthians. “Ele estava na hora errada, no lugar errado”, conformou-se o sobrinho Wesley Santana, recém-formado em Direito “A gente demora para acreditar que isso pode acontecer com a nossa família”, disse o irmão José Celso.
A falta de documentos no domingo de manhã ajuda a compor o perfil de uma pessoa inteligente e alegre, mas meio desligada. Dona Selma acha que a gente tem de levar o RG até para ir à esquina – seu irmão tinha apenas R$ 5 e um cartão telefônico. As roupas simples – bermuda, camiseta e sandália – mostram que ele não ligava para as aparências.
A família demorou para crer na tragédia, mas o irmão teve um pressentimento. Na última terça-feira, quando Sinval já havia falecido, mas ele não sabia, José Celso viu uma poça de sangue em uma calçada no Parque Novo Mundo. Disse ao amigo Fernando que um passo para a frente ou para trás poderia ter salvado aquela vítima.
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