Canto de amor à Bahia
Texto do desembargador Carlos Roberto Santos Araújo, do Tribunal de Justiça da Bahia

Prezados amigos, estamos todos chocados, estamos todos ofendidos, estamos todos indignados.
Houve uma invasão ao Tribunal de Justiça da Bahia, nas vésperas do dia simbólico de nossa Terra, o Dia da Consciência Negra, que celebra o heroísmo de Zumbi dos Palmares, assassinado nesta data, no ano de 1695, por Domingos Jorge Velho, o verdugo.
A Bahia grandiosa, colorida, riqueza de raças, esquina do mundo, onde se encontraram o africano, o turco, o árabe, o judeu, o colono português, na mistura que nos formou a todos nós, os mestiços brasileiros, os baianos, foi profundamente ofendida, e repudia as ofensas à sua grandeza histórica.
Enfim, a Bahia é o que há de mais de brasileiro em todo o Brasil!
Bahia, pátria amada do maior dos poetas brasileiros, o cantor das Vozes d’África, Bahia onde se ergueram as tribunas políticas de Rui, Bahia de grandes ministros imperiais – Cairu, Zacarias, Saraiva, Cotegipe – Cotegipe da Vila de São Francisco de Chagas da Barra do Rio Grande.
A Bahia é o coração do Brasil, e um coração que vibra de amor à liberdade não pode ser humilhado nem pode ser ofendido!
Recentemente, às vésperas da eleição à sua mesa diretora, o vetusto Tribunal de Justiça da Bahia, o mais antigo de todas as Américas, símbolo maior da Bahia, foi invadido em medida exacerbada pela Polícia Federal, numa diligência com cerca de duzentos policiais, secundados por procuradores da República, com apoio de helicópteros e presença ostensiva da mídia televisiva. A diligência poderia ser efetivada por meros quatro policiais, de maneira discreta, como em qualquer país civilizado. Entretanto, teve aparato exagerado de policiais, duzentos agentes, sob a batuta de representantes do Parquet.
Medida espetaculosa, adredemente programada para as vésperas da eleição, com sabor eleitoreiro, pois. E de consequências danosas às eleições, pois obstruiu candidaturas legítimas, instaurou perplexidade e indignação. Tudo isto para dar margem à candidatura de preferência do soi disant Establishment do Tribunal!
E agora, este mesmo grupo manobra para que haja candidato único, o seu, que seria a salvação da Pátria.
Ora, ora, ora, se isto não é uma fraude à Democracia! Voltamos aos períodos de candidatos únicos , em que a oposição era obrigada a engolir goela abaixo as ‘soluções’ dos donos do poder.
Como se esta não fosse a Bahia, a Terra da Liberdade!
Senhoras e senhores desembargadores! Precisamos mudar estas práticas em nosso Tribunal, torná-lo democrático, transparente, e infenso a práticas eleitoreiras dignas do baixo coronelismo dos burgos podres. Precisamos restaurar a grandeza do Poder Judiciário baiano.
Afirmo, pois, a todos os colegas desembargadores, que não retirarei, como me foi ‘afetuosamente’ solicitado, a minha candidatura à presidência. Sou candidato, sim! E peço aos nobres colegas a confiança do voto, para que possamos todos juntos instaurar uma nova fase na Justiça baiana, que a torne grandiosa e respeitada no cenário da nação brasileira.
Carlos Roberto Santos Araújo.
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