Publicado em 07/02/2020 às 08h00.

Gleen diz que decisão da Justiça o protege, mas mantém jornalistas em risco

Fundador do site The Intercept Brasil afirmou que recorrerá ao STF por proteção de direitos constitucionais e liberdade de imprensa

Redação
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

 

O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, afirmou não estar satisfeito com a decisão da Justiça Federal que rejeitou contra ele uma denúncia por associação criminosa, interceptação de comunicações e invasão de dispositivo informático apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal), no âmbito da Operação Spoofing. Glenn diz que vai recorrer ao STF.

“Não estamos satisfeitos. A decisão me protege individualmente, mas é uma grave violação à liberdade de imprensa e pode criar um precedente para que outros jornalistas sejam criminalizados no futuro. Queremos uma vitória não apenas para me proteger, mas para proteger os direitos constitucionais e a liberdade de imprensa. Por isso, vamos ao STF”, declarou em entrevista ao jornalista Leonardo Sakamoto, do portal UOL.

“Essa decisão mais ou menos me libera do perigo de ser processado criminalmente. Mas, ao mesmo tempo, coloca em risco todos os outros jornalistas e a liberdade de imprensa”, afirma Glenn.

No texto da decisão proferida na quinta-feira (7), o juiz Ricardo Augusto Leite, substituto da 10ª Vara Federal do DF, afirma que deixa de receber “por ora” a denúncia contra o jornalista, mas classifica que seu comportamento “possui relevância no campo jurídico” e que pode ser interpretado, por analogia, como “supressão de documento” ou “frustração da persecução penal”.

O MPF havia denunciado sete pessoas em 21 de janeiro, entre elas Glenn —acusado de invadir celulares de autoridades brasileiras. Foram apontadas na denúncia a prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro, bem como as interceptações telefônicas engendradas pelos investigados.

Foram apontadas na denúncia a prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro, bem como as interceptações telefônicas engendradas pelos investigados (leia aqui a íntegra da denúncia). Para o MPF, embora Greenwald não seja investigado nem indiciado, ficou comprovado que ele auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões.

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