STF confirma que lei dos direitos autorais é constitucional
Maioria dos ministros entendeu que o dispositivo legal não representa interferência indevida do poder público em interesses privados, como alegavam representantes dos artistas.

Por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (27) que a lei dos direitos autorais é constitucional. Em 2013, o Congresso aprovou uma modificação na lei que ampliou o papel do governo na fiscalização e arrecadação da remuneração recebida pelos artistas por suas obras.
A maioria dos ministros entendeu que a lei não representa interferência indevida do poder público em interesses privados, como alegavam o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e sete associações de artistas.
O julgamento das ações começou em abril deste ano e, mesmo após já possuir maioria (seis votos) a favor da constitucionalidade da lei, foi interrompido por um pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello.
Marco Aurélio anunciou o seu voto nesta quinta e foi o único a se posicionar contra lei. Para ele, a nova legislação fere o princípio de liberdade das associações e, por isso, é inconstitucional. “Inexiste um meio termo. A liberdade das associações está garantida na Constituição e é pressuposto da democracia. Cabe ao Supremo bloquear essa matéria”, disse o ministro.
Na primeira etapa do julgamento, há cerca de seis meses, o relator das ações, ministro Luiz Fux, considerou que a gestão exclusiva do Ecad representava “excesso de burocracia”. Fux também avaliou que o valor de 25% de toda a arrecadação referente a direitos autorais destinado ao Ecad seria “desproporcional”.
Na mesma sessão, Luís Roberto Barroso criticou o monopólio do Ecad na fiscalização e cobrança por direitos autorais. Além dele, concordaram com o relator Rosa Weber, Teori Zavascki, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Os ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello não participaram do julgamento.
Histórico – Em 1998, ficou determinado que a gestão dos direitos autorais seria realizada apenas pelo Ecad. Cinco anos depois, após denúncias de fraude, o Congresso aprovou um novo texto que deu ao Ministério da Cultura (MinC) a atribuição de supervisionar e regular as atividades do Ecad.
As ações apresentadas pelo Ecad pediam a retirada de alguns trechos, justificando que as mudanças na lei são inadmissíveis porque admitem controle excessivo do MinC sobre direitos privados. “A necessidade de gestão coletiva desses direitos não os transforma em direitos de interesse público, a demandar tutela estatal”, defendem as ações.
“O MinC não tem legitimidade para mediar conflitos entre particulares. Em nome da eficiência, o Estado amplia seus tentáculos sobre assuntos que não lhe dizem respeito, e mais recursos são despendidos para determinar como particulares devem exercer seus direitos”, sustentou o advogado do Ecad e das entidades, Pedro Paulo Cristofaro.
A representante da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, sustentou que, sem a fiscalização do MinC sobre a atuação do Ecad, os artistas ficariam desassistidos. “A fiscalização do MinC existe para coibir abusos, excessos, para impedir a disfunção do sistema que possa atingir o artista, o autor, o intérprete e os coautores da obra. Se o Ecad presta um serviço público, é preciso ser fiscalizado”, defendeu.
Mais notícias
-
Justiça06h49 de 21/11/2025
Jorge Messias se pronuncia sobre nomeação ao STF e faz promessa
-
Justiça10h21 de 20/11/2025
Justiça Federal mantém prisão do presidente do Banco Master
-
Justiça17h55 de 19/11/2025
Operadora telefônica vira alvo do MP-BA por cobranças indevidas
-
Justiça12h13 de 19/11/2025
Desembargador José Rotondano é eleito novo presidente do TJ-BA
-
Justiça16h23 de 18/11/2025
Defesa de Robinho pede ao STF que crime deixe de ser hediondo; entenda
-
Justiça11h19 de 17/11/2025
Morre ex-presidente do TJ-BA, Gesivaldo Britto, ao 78 anos
-
Justiça12h40 de 15/11/2025
Ex-ministro Silvio Almeida é indiciado pela PF por importunação sexual
-
Justiça18h43 de 13/11/2025
PMs são condenados por roubo contra torcedores do Vitória
-
Justiça12h46 de 12/11/2025
MPF abre inquérito para apurar não pagamento do piso dos professores em Salvador
-
Justiça20h20 de 11/11/2025
CNJ cobra Sesab para instalar cartórios em maternidades do interior da Bahia









