A Bahia e o direito perdem Edson O’dwyer
Artigo de César Faria
Por César Faria*
A Bahia perde hoje um dos seus maiores advogados criminalistas de todos os tempos, o querido Prof. Edson O’dwyer. De oratória incomparável pela elegância e brilho na mágica Tribuna do Júri, foi onde o vi pela primeira vez, quando eu ainda era estudante de direito. Somente vim a conhecê-lo, pessoalmente, ao integrar a banca examinadora do meu concurso para professor de Processo Penal da Faculdade de Direito da UFBA. Daí em diante, iniciamos uma grande amizade, quando, após o resultado e minha aprovação, nos ofereceu um almoço em sua residência. Naquela ocasião, conhecemos sua admirável companheira de toda a vida, D. Zilda O’dwyer. Juntos formavam um casal extremamente carismático e acolhedor.
De tantos jantares e almoços nos quais tivemos a alegria de estar presentes, quando recebia juristas de outros estados, costumava eu dizer ser ele verdadeiro Embaixador do Direito Penal na Bahia. Fez parte de diversas comissões nacionais de juristas para reforma da legislação processual penal, destacando-se por idéias e sugestões originais, frutos da sua vivência como advogado e professor, sem falsos arroubos intelectuais.
Tive a grande honra, verdadeiro privilégio, de ser por ele saudado, quando do meu ingresso na Academia de Letras Jurídicas, em primorosa oração, com singular delicadeza. Mais de 15 anos depois, recentemente, quando eu estava na Presidência daquele sodalício, pude homenageá-lo com uma placa com o seu nome, entre os dez fundadores da nossa Academia. Já não pode comparecer pessoalmente, mas seu filho advogado, Paulo O’dwyer, o representou dignamente na solenidade.
Dr. Edson O’dwyer deixou várias lições e exemplos, de lhaneza no trato com todos, de Ética na forma de exercer a difícil profissão de criminalista, seja com os clientes ou com os colegas advogados, inclusive adversários de causas, delegados, promotores e/ou juízes. Ao mesmo tempo, era firme, combativo e intransigente na defesa.
Vários colegas, certamente, poderão dar o testemunho também de sua generosidade. Nunca negava um conselho ou orientação a um colega mais jovem, como no meu caso. Oxalá essas qualidades, tão raras na competição de hoje, não morram com ele, nem desapareçam com a geração de notáveis criminalistas da Bahia do seu tempo. Mas é fato que sentimos que muito de bom está sendo sepultado hoje e um pouco de nós também se vai com ele. É um tempo que não volta.
Cabe-nos a nós, seus colegas, seguir em frente, levando seu bastão e cultivar sua memória não só de jurista, mas de cidadão digno e honrado, pelo exemplar ser humano que foi. Todos da advocacia criminal perdemos um extraordinário colega; eu, um padrinho.
Que Deus o abençoe para sempre! Aquele abraço!
*César Faria é professor de direito da Ufba.
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