Cidade espanhola protesta após morte de bebê de brasileira
Alicia era filha da brasileira Gabriela, de 18 anos, que chegou a Hontoria del Pinar com quatro anos
O clima de comoção tomou conta do povoado de Hontoria del Pinar, no país Basco, região da Espanha, onde será enterrado o corpo de Alicia, a menina de 17 meses morta após ser lançada através do vidro da janela de um apartamento no quarto andar de um edifício em Vitoria (a 360 km a nordeste de Madri) na madrugada de segunda-feira (25).
Alicia era filha da brasileira Gabriela, de 18 anos, que chegou a Hontoria del Pinar com quatro anos, quando sua mãe se casou com o agricultor espanhol Pedro Luis Peñaranda.
Ao meio-dia desta quarta-feira (27), cerca de 100 dos 700 habitantes da cidade se reuniram na praça em frente à prefeitura e fizeram cinco minutos de silêncio em homenagem à menina e um protesto contra a violência.
“Estamos emocionados, doídos. Aqui todo mundo se conhece. Alicia estava sempre por aqui nos fins de semana. Foi um choque”, disse à reportagem o prefeito de Hontoria del Pinar, Francisco Javier Mateo Olalla.
Segundo relatos, o suspeito, um professor de música espanhol de 30 anos identificado apenas pelas iniciais D.M., teria sido flagrado abusando sexualmente da menina de 17 meses, o que provocou uma briga com a mãe dela.
No confronto, o homem arremessou o bebê pela janela e cravou no pescoço da mãe um dos estilhaços do vidro. Vizinhos chamaram a polícia e uma ambulância, na qual Alicia foi levada para o hospital em estado crítico.
Gabriela disse ao pai que o professor de música era seu amigo.
Indiciado – A Promotoria de Álava (Vitoria) pediu o indiciamento de D.M. sob acusação de assassinato de Alicia e de tentativa de assassinato de sua mãe. A denúncia por suposto abuso sexual está pendente de investigação.
Detido em flagrante, D.M. foi levado para um hospital psiquiátrico. Sua transferência para uma prisão comum já foi decretada pela Justiça.
Políticos e entidades de defesa dos direitos da mulher estão se mobilizando para exigir a punição do acusado pelo crime. O secretário-geral de um partido local, Pedro Sánchez, postou a seguinte mensagem no Twitter: “Faleceu a pequena Alicia. É imensa a dor. Os maltratadores e os criminosos não têm lugar na nossa sociedade. União e firmeza”. O premiê Mariano Rajoy também divulgou mensagem na rede social lamentando a morte de Alicia.
A Associação Feminista Clara Campoamor se associou à promotoria para exigir a pena máxima de “prisão permanente”, uma espécie de condenação à prisão perpétua sujeita a revisão, instituída na última revisão do Código Penal espanhol, em 2015.
“Sempre que há violência contra a mulher, há violência contra filhos e filhas, não são compartimentos estanques. As crianças são vítimas da violência, desgraçadamente neste caso, mas sempre que há violência de gênero”, disse José Miguel Fernández, delegado da associação no País Basco.
Alicia e Gabriela passaram o último fim de semana na casa da família. Na tarde de domingo, o professor de música foi buscá-la de carro.
Em Vitoria, no lugar onde a menina foi encontrada em uma poça de sangue, com traumatismo craniano e fraturas múltiplas, muitas pessoas se solidarizaram deixando flores, bichos de pelúcia e velas. Alicia morreu na noite de terça (26).
A mãe da criança permanece internada nesta quarta no Hospital de las Cruces, em Barakaldo, e seu quadro de saúde é estável. Ela está consciente e já recebeu a notícia da morte da filha.
O corpo da menina será submetido a autopsia nesta quinta (28), quando os peritos buscarão também sinais do suposto abuso sexual. A família decidiu doar os órgãos de Alicia.
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