Hillary chega como favorita em eleição nos Estados Unidos
Mercado reage com euforia a leve vantagem sobre Trump; concorrentes dedicam último dia de campanha a comícios em cinco estados chave
Hillary Clinton e Donald Trump encerraram a campanha presidencial nesta segunda-feira (7) com uma maratona de comícios em estados com disputa equilibrada.
A democrata chega como favorita à eleição desta terça-feira (8), com vantagem de 2,9 pontos porcentuais na média de pesquisas do site RealClearPolitics. Projeções dão a ela entre 68% e 98% de chance de se tornar a primeira mulher a ocupar a Casa Branca, o que trouxe alívio ao mercado nesta segunda.
A onda favorável a Hillary, que no domingo (6) se livrou de uma investigação do FBI sobre o uso de um servidor privado de e-mails enquanto era chanceler, levou o dólar a fechar em queda e voltar ao patamar de R$ 3,20, e a Bovespa encerrou o dia com alta de 3,98%. As principais bolsas da Europa também tiveram elevação.
Um eventual governo de Hillary seria melhor para o Brasil e para a América Latina, segundo analistas. Historicamente, presidentes democratas tendem a ser mais protecionistas que os republicanos, mas essa é uma disputa incomum, lembra Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas.
“O Brasil não é prioridade na atual política externa americana, mas será afetado indiretamente. O cenário ideal é ter um governo Hillary com um Senado comandado pelos republicanos, mantendo a relação atual de forças e evitando um fortalecimento de democratas com maior inclinação à blindagem do mercado interno, como Bernie Sanders.”
“Hillary adotou um discurso contra a globalização, em parte para não perder votos. Uma vez eleita, porém, deve continuar as políticas de Obama, de mais diálogo internacional”, estima o brasileiro Rafael Dix Carneiro, economista da Universidade Duke, na Carolina do Norte.
Caso a vitória da democrata se concretize, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deverá decidir elevar os juros – atualmente entre 0,25% e 0,50% – em sua próxima reunião, em dezembro.
“Ele deve ser o candidato republicano mais protecionista desde a 2.ª Guerra, diz Brian Kovak, da Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia. “Trump criticou fortemente os acordos comerciais, e os EUA recebem cerca de 12% das exportações brasileiras. Ainda que tenha feito ressalvas quanto à Parceria Transpacífico (TPP), Hillary costuma ser a favor dessas negociações.”
Colaborou Douglas Gravas.
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