Publicado em 18/11/2016 às 20h30.

OMS declara fim de emergência global por vírus da zika

A entidade alerta que, a partir de agora, a doença será crônica no Brasil e que governos terão de tomar medidas de longo prazo

Agência Estado

zika 2

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou há pouco o fim da emergência global por conta do vírus da zika, pegando de surpresa pesquisadores e gerando duras críticas por parte de cientistas. A entidade alerta que, a partir de agora, a doença será crônica no Brasil e que governos terão de tomar medidas de longo prazo. Nesta sexta-feira, o governo brasileiro anunciou que a emergência nacional seria mantida.

A OMS garante que um departamento dentro da instituição passará a buscar soluções para enfrentar o vírus e que “não está rebaixando” a doença. No entanto, especialistas da própria entidade temem que o fim da emergência significará sérios desafios para que cientistas possam obter recursos para manter as pesquisas e a produção de uma vacina. A decisão foi tomada depois de uma reunião realizada hoje em Genebra entre os principais especialistas sobre o assunto, além dos governos de Brasil, EUA, Tailândia e de regiões africanas, europeias e asiáticas.

A OMS considerou que, como estava provada a relação entre o vírus e a microcefalia, ela precisava agora de um “mecanismo robusto de longo prazo para administrar a resposta global”. Para a entidade, o zika “continua sendo um desafio significativo e duradouro de saúde pública e que exige ação intensa, mas não é mais uma emergência”. Por isso, a entidade decidiu “escalar” a doença a um “programa permanente”.

A decisão foi alvo de duras críticas por parte dos cientistas que buscam uma solução para a doença. “Será que veremos uma nova onda de casos no Brasil e Colômbia?” questionou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Contagiosas. Sua entidade é uma das que tenta arrecadar recursos para bancar uma vacina. Para ele, o fim da emergência é “prematuro”, principalmente por que o verão no Brasil está prestes a começar. “Por que não esperaram alguns meses?”, criticou.

Tentando justificar sua decisão, David Heymann, presidente do Comitê de Emergência, considera que agora o vírus da zika é um problema “de longo prazo”. Foi a partir de sua gestão que, em 1º de fevereiro, a OMS declarou a emergência global.

“Uma emergência global tem uma conotação específica”, disse. “Ela é declarada quando se precisa de uma ação urgente e que o problema terá de ser solucionado”, insistiu. “A preocupação inicial era a microcefalia. Portanto, a emergência foi declarada para entender se havia uma ligação entre o zika e o fenômeno”, disse.

Outra razão para a declaração de emergência, segundo ele, foi a Olimpíada no Rio. “Precisávamos fazer recomendações para quem fosse aos Jogos”, explicou.  “A emergência não era para parar o vírus. Mas para entendê-lo. Agora, já está claro que a microcefalia está ligada ao zika. O objetivo foi atingido e agora precisamos passar para uma estratégia de longo prazo”, disse. “Não se trata de um rebaixamento. Mas de uma resposta mais robusta dentro da OMS”, insistiu.

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