Publicado em 09/11/2015 às 09h44.

De Ponta a Ponta: SALVADOR

ACM Neto lidera, oposição busca segundo turno

Levi Vasconcelos

A pouco menos de um ano das eleições municipais, publicaremos diariamente detalhes sobre os movimentos dos atores principais nos 50 mais influentes municípios baianos, além de acompanhar os fatos que julguemos relevantes no conjunto.

Dos 417 prefeitos baianos, segundo o TRE, 233 (55,8%) estão aptos a tentar a reeleição, entre eles, ACM Neto em Salvador e Zé Ronaldo em Feira de Santana, ambos do DEM. Já em Vitória da Conquista, o terceiro maior município do Estado, que junto com os dois primeiros são os únicos a terem dois turnos, o prefeito Guilherme Menezes (PT) já é reeleito.

Mas muitos dos atuais prefeitos aptos a disputar a reeleição já anunciaram que estão fora. A crise econômica fez a arrecadação desabar e complicou a situação políticas nos quatro cantos do estado.

Em 2012, sem crise, 288 prefeitos disputaram a reeleição e apenas 166 (57,6%) lograram êxito. Vamos aos fatos, começando por Salvador.

SALVADOR
(1.823.899 eleitores em 2014)

Prefeito é preferido nas pesquisas, governo tenta embaralhar o jogo
por Elieser Cesar 

Na capital do estado, o prefeito ACM Neto (DEM) voa em céu de brigadeiro e, no cenário atual, é favorito à reeleição. Líder absoluto nas pesquisas de popularidade até agora realizadas, Neto se deu ao luxo de abrigar seus principais auxiliares em partidos de sua base de sustentação, para a eventualidade de ele mesmo poder escolher um vice da própria “cozinha”.

Desse modo, numa jogada ensaiada que, mais tarde, pode se revelar de uma precisão milimétrica, o secretário de Educação Guilherme Bellintani foi para o PPS, o secretário de Governo Luiz Carreira para o PV, o de Mobilidade Social, Fábio Mota, já é do PMDB, como o deputado estadual Bruno Reis, o secretário de Promoção Social, o de Urbanismo, Silvio Pinheiro foi para o Solidariedade.

Numa palavra, se Neto puder tirar alguém do bolso do colete, já tem as cartas na manga.

O lugar de vice na chapa de ACM Neto é disputadíssimo e desperta a cobiça de partidos robustos como o PMDB, já que, entre as possibilidades que se desenham para 2018, Neto poderia disputar a sucessão estadual. Reeleito, terá que renunciar, deixando a Prefeitura mais cobiçada do estado nas mãos do vice, por dois anos. Uma tentação para todos os partidos da base aliada do prefeito.

(Foto: Divulgação Setur-Tatiana Azeviche)
(Foto: Divulgação Setur-Tatiana Azeviche)

Para enfrentar o favoritismo de ACM Neto e tentar levar a eleição para o segundo turno, a situação, capitaneada pelo PT do governador Rui Costa, aposta na entrada em cena de muitos candidatos, para embaralhar o jogo e pulverizar os votos, com isso tentar forçar um segundo turno e forjar a polarização que hoje não existe.

Neste caso, o PT apresentaria candidato próprio (o ideal para a legenda seria o reticente senador Walter Pinheiro, nome com maior densidade eleitoral no partido, que descarta a ideia), o PSB também (fala-se na senadora Lídice da Mata), o PCdoB disputaria com a deputada federal Alice Portugal e até o rocambolesco Sargento Isidório (sem partido, mas a caminho do Pros) está na briga.

Ou seja, a tática é quanto mais candidatos, melhor. Acrescente-se que o PT, sangrando na Operação Lava Jato, vive seu pior momento. Uma pesquisa recente do Instituto Dataqualy apontou que o partido ocupa o topo das legendas com o maior percentual de rejeição na capital baiana (43,8%), enquanto o PSDB aparece com 6,2%, o DEM com 5,7%, o PMDB com 4,9% e o PCdoB com 3,5%.

Por outro lado, o DEM surge como a sigla mais simpática (para 19,8% dos eleitores), seguido pelo próprio PT (17,3%). PMDB (8,7%), PSDB (4,9%), PV (3%) e PCdoB (2,7%). Apesar deste cenário, Rui Costa desponta como um governador bem avaliado, o que equivale a dizer: ACM Neto é favorito, mas o jogo ainda não foi jogado. Ou seja, tem jogo.

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