Publicado em 22/03/2016 às 10h27.

Governo fecha acordo para Mirabela continuar operando

Governo estadual se comprometeu em liberar créditos tributários, a fim de facilitar o embarque e desembarque do minério, via Codeba, e a paz voltou a reinar

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira.”

Ronald Reagan, ex-presidente dos EUA (1911-2004)

Foto: Manu Dias/GOVBA
Foto: Manu Dias/GOVBA

 

Martelo batido

A mina de níquel Mirabela, de Itagibá, de capital australiano, vai continuar operando. O acordo foi selado na noite desta segunda-feira (21) entre o secretário da Indústria e Comércio, Jorge Hereda, pelo governo, e representantes da empresa, mais sindicatos da área.

O governo estadual se comprometeu a liberar créditos tributários, o federal, a fim de facilitar o embarque e desembarque do minério, via Codeba, e a paz voltou a reinar.

A mina de Mirabela entrou em parafuso e quase fechou porque o preço do níquel desabou no mercado internacional, de US$ 9 por libra peso para US$ 3,7. Se o fechamento acontecesse, significaria menos 470 empregou fixos e 500 indiretos, um baque na região de Ipiaú.

O deputado estadual Eduardo Sales (PP) diz que foi feita uma mobilização suprapartidária de todos os deputados votados na região, mais prefeitos e vereadores. “Tiramos as meias das mãos para não perdermos os dedos”, comparou.

No início do mês houve uma audiência pública na Câmara de Ipiaú com a participação dos prefeitos Deraldino Araújo (Ipiaú), Marcos Barretos (Itagibá), Marcos Aurélio (Ibirataia), dos deputados Eduardo Salles, Bebeto Galvão (PSB), Davidson Magalhães (PCdoB) e Fabíola Mansur (PSB), e mais vereadores dos três municípios.

O encontro foi decisivo para selar o acordo.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

E o PMDB, sai do governo? Há controvérsias: sai, mas fica

Dizem que o PMDB é peça chave na questão do impeachment de Dilma. Marcou para o dia 29 a decisão sobre ficar ou não no governo. Se o partido não pretende forjar uma unidade impossível, pelo menos a maioria.

Tem hoje seis ministérios, proibiu que seus integrantes ocupem cargos nesses 30 dias entre a convenção e a decisão e já foi desobedecido: o deputado Mauro Lopes aceitou a Secretaria da Aviação Civil. Se sair, esvazia o governo, instala o caos na governança que, mesmo com ele, já quase não governa.

Dizem em Brasília que o PMDB nunca fica longe do poder. Se deixar Dilma, é calculando que, logo, logo, Michel Temer assume. Também em Brasília se diz que Temer quer dar o golpe sem ser golpista. Seria algo como sair, calculando que logo volta. Seja como for, o Dia 29 é o Dia D de Dilma. PRB e PSB já deixaram a base. PP e PTB já sinalizam também que podem sair.

Em suma, se os ratos estão pulando fora, o navio está afundando.

O duelo do impeachment

O governo acha que a oposição não tem os 343 votos para emplacar a aceitação do pedido de impeachment, embora se diga que tem uma maioria (de um terço, já que o necessário são dois terços) bem apertada, apenas 174 votos, com tendência de queda.

Já os oposicionistas estão convencidos que sim. Dizem que, no embalo das manifestações de rua, conseguirão os votos que faltam, como diz o líder do PSDB, Antônio Imbassahy: “O apoio está vindo a galope. O PMDB é decisivo na questão”.

Ponto de união

Ironia: tais convicções, tão diametralmente opostas, foi o que motivou um raro momento de unidade, o da instalação da comissão. Os dois lados a favor, correu rápido.

Óbvio que os governistas sustentam a frase chave: é golpe. Mas acham que esse é o caminho para se livrar logo do imbróglio e buscar, no Congresso, a paz para seguir em frente.

E se o impeachment não passar, haverá paz? Os tucanos já avisaram que, caso o impeachment não passe pelas pedaladas fiscais – o motivo atual – farão outro pedido com base na delação premiada de Delcídio Amaral.

Ainda teremos muito a sangrar. É só o que falta.

Antes tarde

Vibrando com a inauguração da nova piscina olímpica da Bahia, na próxima segunda, o secretário Álvaro Gomes (Trabalho e Esportes) admite que a obra foi muito prometida e demorada, mas ressalva: “O que parecia sonho virou realidade. Antes tarde do que nunca. Ele diz que, em compensação, Salvador ganhou um parque aquático dos mais modernos do mundo”.

BA 001 em Santo Antônio de Jesus | Foto: Manu Dias/GOVBA
BA 001 em Santo Antônio de Jesus |
Foto: Manu Dias/GOVBA

 

Querela santantoniense

O tempo fechou na sessão desta segunda-feira (21) na Assembleia com o bate-boca entre os deputados Alan Sanches (DEM) e Rogério Andrade (PSD). O pano de fundo da questão é a disputa em Santo Antônio de Jesus.

Alan não gostou de entrevistas de Rogério em rádios nas quais o acusou de fazer “política rasteira” e que não tinha voto na cidade. “Vossa Excelência é um faltoso e só não perdeu o mandato pela generosidade da Casa. Que mal tem dizer que é o candidato de Dilma e de Lula?”. Rogério rebateu e se retirou.

O xís da questão

Rogério Andrade é pré-candidato a prefeito de Santo Antônio para enfrentar o prefeito Humberto Leite (PDT), que se aliou a ACM Neto, a quem Alan é ligado. Ou seja, a briga de lá pipocou cá.

No rififi, Rogério lembrou que Alan se elegeu presidente da Câmara de Salvador com apoio de Geddel, depois foi para o PSD e agora entrou no DEM. “E ainda me chama de adesista?”.

Neto, o republicano

O fato de ACM Neto ter dito, ao assinar o protocolo para a criação do Núcleo de Políticas Públicas de Cidadania e Direitos LGBT, sábado último, que a ideia partiu de Fabíola Mansur (PSB), então vereadora, hoje deputada estadual, deixou a parlamentar, uma adversária, em estado de graça: “Com toda a sinceridade, é uma lição de republicanismo raramente visto”.

Epigrama do Eugênio

A desastrada declaração do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, que além de criticar a Operação Lava Jato, visou que, se for detectado vazamento da PF, toda a equipe será destituída, caiu na mira do poeta Antônio Lins, que disparou o epigrama:

Mais “astuto” ninguém já viu,
Tem seu nome nos jornais,
Mas ainda não saiu
Das “três Escolas Penais”

Levi Vasconcelos
Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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