Publicado em 03/03/2016 às 21h43.

Imbassahy: ‘somos governados por uma organização criminosa’

Líder do PSDB da Câmara disse ao bahia.ba que oposição vai aditar delação de Delcídio a pedido de impeachment de Dilma

Evilasio Junior
Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados
Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

 

A revelação do suposto conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) à Procuradoria Geral da República alterou a rotina da oposição na Câmara Federal nesta quinta-feira (3), dia em que geralmente o Congresso Nacional fica esvaziado. Com a repercussão da notícia, os deputados da ala da minoria passaram a manter contato constante por telefone e marcaram uma reunião de bancada, para avaliar o episódio, na manhã da próxima terça-feira (8).

De acordo com o conteúdo revelado pela revista Isto É, a presidente Dilma Rousseff e o seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva tentaram interferir nas investigações da Operação Lava Jato e até promover a soltura de réus, como o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia. O petista diz ainda, segundo a reportagem, que a atual mandatária, enquanto chefe do Conselho de Administração da Petrobras, sabia do superfaturamento de R$ 792 milhões na aquisição da refinaria de Pasadena e teve participação efetiva na indicação de Nestor Cerveró – preso desde janeiro de 2015 – para a diretoria financeira da BR Distribuidora. Sobre Lula, o parlamentar teria dito ao Ministério Público Federal que ele teria tentado comprar testemunhas e seria mandante de uma mesada de R$ 250 mil a Cerveró para evitar ter o seu nome e de membros da sua família citados em delação premiada.

“É um negócio impressionante. Se confirmar, é coisa de bandidagem, da escória da política. Um ex-presidente que chega ao ponto de defender um marginal. Uma presidente que negou o tempo todo saber do que ocorria na Petrobras e ter envolvimento naquela compra absurda de Pasadena… Realmente é de se concluir que estamos sendo governados por uma organização criminosa”, declarou o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy, em entrevista ao bahia.ba.

Para o tucano, o fato de as informações partirem do ex-líder do governo no Senado corrobora ainda mais para a veracidade das denúncias. “É importante notar que o senador que fez a delação era ligadíssimo a Lula e Dilma. Conviveu intimamente com tudo o que acontecia no governo. Ele dá detalhes que só quem está dentro pode dar”, pontua o deputado.

Em nota, a presidente Dilma criticou o vazamento da delação, o qual considerou “apócrifo e ilegal”. Também via comunicado, Lula voltou a negar ter participado de qualquer ilegalidade. A assessoria e a defesa de Delcídio não confirma que o senador tenha sido contatado pela Isto É, mas não desmente a matéria publicada pela revista. O líder do PT na Câmara, Afonso Florence, foi contatado pelo bahia.ba, mas não atendeu nem retornou às ligações.

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