Publicado em 24/03/2016 às 10h24.

Última chance de Dilma está na Sexta Santa: Irmã Dulce

Pelo que se viu esta semana em Brasília, Dilma só tem uma chance: Irmã Dulce. Quem sabe ela não opera o milagre que falta para virar santa?

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares”.

Ambrose Bierce
Escritor e jornalista norte americano, autor de O Dicionário do Diabo (1842-1913).

Montagem bahia.ba
Montagem bahia.ba

 

Última chance de Dilma está na Sexta Santa: Irmã Dulce

Como é Semana Santa, vamos abrir uma brecha para falar dos santos, além dos diabos.

Irmã Dulce ganhou a aura da santidade porque seguiu a rigor o fundamento cristão: fazei o bem sem olhar a quem e sem esperar compensação.

Na política, o fundamento é o mesmo, mas no sentido oposto: fazei o bem olhando bem a quem e calculando logo as compensações.

O jogo de financiamento de campanhas no Brasil sempre foi esse, o do fundamento podre. A lista da Odebrecht ontem divulgada mostrava claramente que todos, sem distinção, pelo caixa 1 ou 2, estavam pendurados no mesmo cofre.

O PT sabia disso e, agora, com o barco de Dilma afundando, seriamente atingido pela Lava Jato e o seu mar de maracutaias, lamenta profundamente ter perdido a chance de mudar a regra do jogo quando pôde.

É tarde. Pelo que se viu esta semana em Brasília, Dilma só tem uma chance: Irmã Dulce. Quem sabe ela não opera o milagre que falta para virar santa?

Foto: Roberto Viana/bahia.ba
Foto: Roberto Viana/bahia.ba

 

Impeachment e golpe

O discurso preferencial de Dilma e dos governistas empedernidos é o de que impeachment é golpe.

O tal discurso foi quem sofreu um golpe ontem: ministros do STF, como Dias Tóffoli – por acaso ex-advogado do PT nas campanhas de Lula -, foram enfáticos em dizer que o impeachment é um instrumento previsto na Constituição.

Ou seja, bateu, valeu.

Favas contas

Geddel, presidente do PMDB baiano, diz não ter dúvida de que na próxima semana, por ampla e folgada maioria, o partido decidirá pular fora do governo:

— A prova mais cabal disso é que alguns de pouca expressão estão fazendo tudo para tentar adiar o encontro.

Se isso acontecer, é o fim do governo Dilma. Prevê-se que o PMDB abrirá a porteira para vários outros saírem.

Aliás, em Brasília ninguém aposta um vintém na permanência de Dilma.

Falta a delação

A decisão do juiz Sérgio Moro de proibir a divulgação das doações da Odebrecht antes de separar o joio do trigo, em tese parece piada pronta: proibiu o que todo mundo já sabia. Mas é mais que isso. A lista de ontem é apenas a de 2012. As de 2010 e de 2014 têm bem mais.

E também, é bom lembrar: ainda falta a delação de Marcelo Odebrecht.

Se ainda resta alguma esperança a Dilma, acaba quando ele falar, dizem em Brasília.

Bom humor

Não foi de graça que o juiz Sérgio Moro achou que “acarajé quentinho”, na linguagem da Odebrecht, era grana.

A lista de doações mostra que o agente pagador tem futuro como humorista, se perder o emprego. A julgar pelos apelidos que botava nos destinatários das doações.

Jaques Wagner, o Passivo; Edivaldo Brito, Candomblé; Daniel Almeida, Comuna; Jarbas Vasconcelos Filho, Viagra; Eduardo Paes, Nervosinho; e Sarney, escritor.

Bota os humoristas da Globo no chinelo.

Nuvem (Foto reprodução pt.torange)
Nuvem (Foto reprodução pt.torange)

 

A vida muda

– Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.

A frase aí, atribuída a Magalhães Pinto, ex-governador mineiro, foi lembrada ontem por um político ao fazer analogia com a lista de doações da Odebrecht, também ontem divulgada.

— As coisas mudam rápido. Até pouco tempo, figurar na lista de doações da Odebrecht era prestígio. Agora é demérito.

Desgoverno

O projeto que o ministro Nelson Barbosa pretende enviar ao Congresso para alongar o prazo de pagamento das dívidas dos estados com a União por mais 20 anos, em nada beneficia a Bahia, segundo o senador Walter Pinheiro (PT):

— Só beneficia os grandes estados. É mais uma prova da falta de conexão do governo com as suas bases.

Bahia fora

Pinheiro diz que, no caso do governo baiano, muito pelo contrário. Dois pedidos de empréstimos, já aprovados na Assembleia, totalizando R$ 1,5 bilhão, que só falta mandar para o Congresso, estão travados, uma prova de que o governo já não governa:

— Não é favor. É só mandar e não mandam.

Unindo forças

Everaldo Anunciação, presidente do PT na Bahia, vai arregaçar as mangas nos próximos dias para tentar juntar os cacos da banda governista a fim de enfrentar as eleições deste ano. Diz ele que onde tem segundo turno, as negociações são mais flexíveis mas, onde não tem, a ordem é unir.

E os problemas começam em Itabuna, terra dele. Lá, o ex-prefeito Geraldo Simões (PT) e o deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB) se engalfinham pelas bençãos governistas.

Dilema grapiúna

Aliás, na banda da oposição também há divisão. Fernando Gomes (PMDB), ex-prefeito, se lançou para tentar tomar a dianteira do deputado Augusto Castro (PSDB), o líder nas pesquisas.

Lá, cogita-se a reedição do velho duelo de Geraldo e Fernando. Dizem que a experiência com “o novo” deu zebra duas vezes: com o Capitão Azevedo e com o atual prefeito, Vane da Renascer (PRB).

O problema é que a dupla Geraldo Simões e Fernando Gomes é a velharia desgastada.

Levi Vasconcelos
Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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