Se Neto botar Irmão Lázaro secretário, Luiz Argolo é o suplente. E aí?
Luiz Argolo, do SD, está preso no bolo da Lava Jato, condenado a 11 anos e 11 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro
Frase da vez
“Na política, a gratidão prescreve em seis meses”.
Octávio Mangabeira, político baiano (1886-1960)

Se Neto botar Irmão Lázaro secretário, Luiz Argolo – preso e condenado – é o suplente. E aí?
Se ACM Neto consumar a nomeação do deputado federal Irmão Lázaro (PSC) como secretário de Relações Institucionais, vai resolver um problema e criar outro.
Lázaro é do PSC, o partido dos evangélicos ligados à Assembleia de Deus, e ele resolve o problema nesse campo, já que o antecessor é o vereador em Salvador Heber Santana. De quebra, dá uma ajuda ao amigo Zé Ronaldo (DEM), prefeito de Feira de Santana.
Lá, Lázaro é prefeiturável e, não só sairia do páreo, como ainda ficaria ao lado de Ronaldo.
Mas há um probleminha. Irmão Lázaro é da coligação Unidos por uma Bahia Melhor, que congrega DEM, PMDB, PSDB, PTN, SD, Pros, PRB e PSC. E o primeiro suplente da dita cuja é ninguém menos que Luiz Argolo, do SD, que está preso no bolo da Lava Jato, condenado a 11 anos e 11 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro.
Vai dar um bom barulho, pelo menos na mídia.
Antecedentes no mensalão
As chances de Argolo assumir o mandato são parcas. No mensalão, três deputados – João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) – perderam os mandatos e permaneceram na cadeia.
Caso a jurisprudência seja mantida, o que é mais provável, Luciano Braga, que é do DEM e segundo suplente, pode ir arrumando o paletó.

Futuro incerto
Normalmente comedido ao falar da crise política no Brasil, ACM Neto ontem, em conversa com jornalistas, soltou o verbo:
— O que é mais lamentável em tudo isso é que o governo instituiu o mais explícito balcão de negócios da história do Brasil, uma política de barganha lamentável e inconsequente. Imagine se a presidente consegue 172 votos (para barrar o impeachment). O que será do Brasil?
Sangria total
A pergunta de Neto tem tudo a ver. Se Dilma escapar do impeachment, o governo dela, que já não governa, estará extremamente fragilizado, e o Brasil, que está mergulhado numa crise sem aparente saída, continua sangrando até Deus sabe quando.
A volta de Maracajá
Ex-presidente do Bahia, ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do TCM, Paulo Maracajá parece estar com saudades da vida pública. Ontem, na presença de ACM Neto, assinou a ficha de filiação no DEM.
Vai disputar um mandato de vereador?
— Primeiro vou avaliar se dá, porque eu não tenho dinheiro para gastar.
Mas se der…
Racha na OAB
Quando a manifestação contra o impeachment passou ontem em frente à sede da OAB, na Piedade, um grupo de advogados entregou ao presidente Luiz Viana Queiroz um documento de protesto.
Atacava o presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, que semana passada protocolou novo pedido de impeachment na Câmara.
Dizia que Lamachia não os representa.

Golpe no golpe
A clientela que estava no bar Limão Drinks, na Av. Getúlio Vargas, em Feira de Santana, deu o golpe do golpe.
Quando os manifestantes pró-Dilma iam passando e gritando “Não vai ter golpe”, a maioria entrou no bolo. Saiu sem pagar a conta.
Cidade do terror
A adesão do prefeito de Camaçari ao PCdoB para ancorar a candidatura a prefeita da secretária Jailce Andrade está resultando em desastre político.
Na Cidade do Saber, a cereja do bolo das administrações petistas (também no mau sentido, já que é alvo frequente de denúncias no TCM), virou um núcleo de terror. Júlio Pinheiro, o administrador escalado pelo PCdoB, demite a rodo para botar quem quer.
E às vezes até avisa que vem nova lista, o que causa pânico entre os servidores.
Mulheres e confecções
Composto em 65% por empresárias, o setor de confecções da Bahia marcou presença no evento realizado pela Fieb para discutir competitividade e internacionalização.
Acostumado ultimamente a só falar sobre a crise para plateias de engravatados, o presidente da Fieb, Ricardo Alban, logo reparou:
— Diante de um público de grande participação feminina, na pior das hipóteses, a gente já se anima um pouquinho.

Liderança feminina
Se na plateia elas tinham boa participação, na composição da mesa só uma: Eunice Habibe, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Salvador e Região Metropolitana (Sindivest).
— Somos maioria mais significativa entre empresários do segmento de confecções da Bahia, com presença ainda mais expressiva entre os operários, com mais de 80%.
Polêmica em Soterópolis
Terça passada, aniversário de Salvador, publicamos que, um ano depois que Tomé de Souza aqui desembarcou para fundar a cidade, nasceu o primeiro filho de português com português na área. Ele exultou:
— Temos o primeiro são-salvadoreta! (porque quem nasce em Lisboa é lisboeta).
Padre Manoel da Nóbrega sugeriu:
— Em grego, Salvador seria chamada de Soterópolis, sóter de salvador e pólis de cidade. Acho melhor soteropolitano.
Deu rebu, com muitas contestações, e aí cometemos um erro em não ter citado a fonte, no caso, Aydano Roriz, no livro (romanceado) O Fundador, sobre a chegada de Tomé.

Outra história
Henrique Carballal, historiador de ofício, vereador de ocasião, cita que Luiz Santos Vilhena, no livro A Bahia no Século XVIII, conta outra história.
Diz que Soterópolis foi evocado para diferenciar os nascidos em Salvador dos de El Salvador, o país.
Lá, é salvadorenho. Aqui, seria salvadorense. Por isso ficou o soteropolitano.
Seja como for, o soteropolitano colou.
Festa grapiúna
O prefeito de Itabuna, Claudevane Leite (PRB), e o presidente da OAB de lá, Edmilton Carneiro, estiveram com a presidente do TJ, Maria do Socorro Santiago, para dizer que a Justiça na comarca está um caos. Foram informados que três novos juízes tomam posse hoje.
Os dois saíram festejando. Acham que foi uma vitória.
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