2016: Espírita André Luís Peixinho pede mais amor, por favor
Presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia aponta que a violência nasce da pouca expressividade do caráter amoroso do espírito
“Gentileza gera gentileza”. “Mais amor, por favor”. “Menos prisão, mais educação”. Mais do que meramente frases de efeitos divulgadas em muros e na linha do tempo do Facebook, esses dizeres proclamam ações que efetivamente contribuem para a expressividade do caráter amoroso de cada indivíduo para si e com o próximo. Nesta altura do campeonato, o provérbio “é fácil falar; difícil é fazer” não serve como manobra para justificativas vãs. O amor ainda que simbolicamente belo precisa sair do campo imaginário do desejo para dar lugar à lei física da ação e reação.
“É na pouca expressividade do caráter amoroso do espírito que nasce a violência”, sintetiza André Luis Peixinho, presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB). Em conversa com o bahia.ba sobre as reflexões da doutrina espírita para o ano que se encerra e o que se aproxima, o líder religioso aponta as estruturas da sociedade como inibidoras da reativação de sentimentos nobres. “Estamos num período de bastante turbulência psico-física, é preciso incentivar ainda mais sentimentos de alteridade, amorosidade, para construir melhores relações”, destaca.
Para o espiritismo, a passagem de ano é uma convenção humana que de nada interfere na doutrina, que é fundamentada na existência, nas manifestações e no ensino dos espíritos. No entanto, sua conjuntura terrena é utilizada para reavivar a cultura da paz e do amor, especialmente em uma cidade onde, dos 1,5 mil homicídios ocorridos por ano, mais de 30% são de jovens, em sua maioria negros. “A violência decorre da ignorância espiritual das pessoas, que cometem violências, e da sociedade, que aprova isso, imaginando que, ao eliminar o corpo físico dessas pessoas, elas se libertaram, mas isso é um engano porque o espírito continua, influenciando”, explica André Luís Peixinho.
Ainda de acordo com o líder religioso, outra ignorância do ser humano é na estruturação da sociedade em uma suposta felicidade decorrente da posse, da dominação e da concentração de poder: “É uma visão centrada no modo de ter coisas, afetos, status, para prolongar a vida”. Dentro dessa redoma, de egoísmos e vaidades simbólicas, vão sendo construídos violentos enganos: com medo de morrer, o indivíduo ataca o que potencialmente pode lhe lesar ou destruir.
Pretextos – O ano de 2015 foi um ano de muitas mortes, envolvendo atos de terrorismo, sendo que a maioria deles tinham como pano de fundo conflitos de ordem religiosa. Para o presidente da FEEB, as pessoas não brigam pela religião e sim pelo poder e dominação, ou seja, trata-se do uso indevido da religião para continuar matando, bastando lembrar que a Inquisição e a Guerra Santa ocorreram “em nome do amor cristão”. “É o velho egoísmo humano que leva a esse tipo de situação e não a fé em uma religião”, destaca André Luís.
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