Publicado em 21/01/2016 às 06h00.

Ciclistas viram alvo de assaltantes na orla de Salvador

A maioria dos casos ocorre na ciclovia localizada atrás do antigo Aeroclube. No último domingo (17), houve três roubos de bicicletas e uma tentativa de roubo no local

Juliana Dias
Foto: Max Haack/ Agecom
Foto: Max Haack/ Agecom

 

Rose Queiroz voltava, com um amigo, de um passeio de pedal em Simões Filho pela orla de Salvador no último domingo (17), por volta das 15h, quando foi abordada por três homens armados com barrotes que gritavam: “Perdeu, perdeu”. A reação inicial foi colocar a bicicleta no chão e esperar, impotente, que eles a levassem – emprestada, a bike era avaliada em R$ 800. Embora a recomendação da polícia seja não reagir a esse tipo de situação, o amigo de Rose, que é da Marinha, fingiu ser policial e estar com uma arma na pochete. Assustados, os assaltantes correram.

Por sorte – se é que essa palavra pode definir o resultado do roubo frustrado –, Rose e o amigo não tiveram suas bicicletas roubadas e nem foram agredidos. No entanto, o cenário não é o mesmo para dezenas de ciclistas que relatam, nas redes sociais e em grupos no WhatsApp, como o hábito de andar com a magrela, seja para o trabalho ou para o lazer, os tornou alvos de assaltantes na capital baiana, especialmente na orla.

Quem transita pela capital baiana diariamente já deve ter notado que Salvador tem se tornado, gradativamente, uma cidade convidativa para quem faz uso do transporte não motorizado, de duas rodas. Tanto pela ampliação das ciclovias, quanto pela crescente oferta de bicicletários e bicicletas de uso público. Entretanto, o modo alternativo de deslocamento e locomoção está sendo ameaçado pela insegurança pública, devido ao crescimento de roubos a ciclistas em diversas regiões da cidade.

Só no último domingo, além da tentativa de roubo sofrida por Rose, quatro bicicletas foram roubadas, na região da Boca do Rio, mais precisamente na ciclovia. A via específica para bicicletas que fica atrás do antigo Aeroclube, é apontada pelos ciclistas como o alvo preferencial para a ação dos ladrões, devido à pouca visibilidade do trecho, já que o local está cercado por tapumes por conta das obras de construção do projeto do Shopping Bosque e do Parque dos Ventos. Após divulgação de fotografias das bicicletas nas redes sociais das comunidades ciclísticas de Salvador e adjacências e o registro de boletim de ocorrência na 39ª Companhia Independente da Polícia Militar (39ª CIPM), as quatros foram recuperadas na tarde da última quarta-feira (20).

O mesmo ainda não ocorreu com a bicicleta de Camila Pelegrini. Sua magrela foi roubada, no mesmo local, aconteceu no último dia 15, conforme publicação no seu perfil do Facebook. Ela foi surpreendida por cinco homens que, além de lhe roubarem a bicicleta e o celular, a agrediram, resultando em escoriações em várias partes do corpo, inclusive na cabeça. Na rede social, a jovem relatou o ocorrido e pediu a ajuda de amigos e ciclistas para reencontrar a bicicleta roubada – até o fechamento desta reportagem, o veículo ainda não tinha sido recuperado.

Rose por pouco não teve a bicicleta, que era emprestada, roubada no último domingo (17). Foto: Arquivo Pessoal.
Rose por pouco não teve a bicicleta, que era emprestada, roubada no último domingo (17). Foto: Arquivo Pessoal.

 

Denúncia antiga – Em 2014, a ciclista Marcella Marconi tomou a iniciativa de escrever o documento intitulado  “Carta dos Ciclistas de Salvador” para denunciar os assaltos aos ciclistas na capital e cobrar das autoridades de segurança pública, uma medida efetiva para coibir a ação dos criminosos. “Um dos nossos pleitos é que exista a inserção do registro específico do roubo de bicicletas, que é um roubo que ocorre, em muitos casos, com o tipo de receptação, ou seja, por encomenda”, destaca. A Polícia Civil, por meio da assessoria de comunicação, informou que não possui estatísticas sobre a quantidade, tipo e local do roubo de bicicletas em Salvador. O registro deste tipo de delito é classificado apenas como roubo, sem o detalhamento amplo de informações por parte do órgão ou da delegacia.

Na última sexta-feira (15), Lucia Saraiva, do grupo Amigos de Bike, e outros ciclistas se reuniram, pela terceira vez, com a 39ª CIPM, unidade que atua na região Boca do Rio/Imbuí, para denunciar o aumento dos assaltos a ciclistas na área e cobrar medidas de segurança. “Os ladrões estão viciados ali porque, além do policiamento ser fraco, os tapumes das obras do Aeroclube dificultam a visibilidade do que está ocorrendo na área” disse.

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Foto: Marcelo Machado/ Ag. Haack/ Agecom

 

O major Gabriel Neto, da 39ªCIPM, em conversa com a reportagem do bahia.ba por telefone, informou que houve uma reunião, nesta semana, da Companhia com a equipe de segurança das obras do Aeroclube sobre a corresponsabilidade daquela barreira perimetral e para a possível retirada dos tapumes. Até o fechamento desta reportagem, o comandante da 39ª ainda não tinha o posicionamento da empresa responsável pela segurança da área sobre os encaminhamentos a serem tomados.

O oficial informou, também, que a Companhia estará promovendo um curso com orientações preventivas e de segurança para ciclistas que circulam pela região da Boca do Rio e pela orla de Salvador. Segundo o major Gabriel Neto, a ideia de realização do curso surgiu após as prisões efetuadas pela polícia. “Estamos intensificando o policiamento no local, porém notamos que algumas necessidades e recomendações precisam ser passadas ao ciclistas sobre o comércio de peças de bicicletas que possam ter procedência duvidosa e, consequentemente, contribuir para debelar a ação dos assaltantes”, disse. Para mais informações ligar para os números: (71) 99984-8697 / 99984-8699

Rede relacional – Ainda de acordo com o major, os ladrões que atuam na área, geralmente, buscam as bicicletas mais caras para roubar e, por isso, é importante que os ciclistas procurem a referência das peças que eles irão comprar, como nota fiscal e referência da loja. “Reduzir esse mercado é uma das formas de coibir a ação dos ladrões. Toda oferta tem sua própria demanda. Além disso, necessitamos dos ciclistas para criarmos uma rede relacional e a partir dela entender o comportamento de segurança da utilização de bicicletas em área urbana”, explica.

Outra recomendação da Companhia diz respeito à criação de um plano de segurança para os ciclistas que pedalam em grupo. Neste plano, o major recomenda que os usuários de bicicletas invistam em GPS e informem à Polícia Militar os locais e horários em que irão trafegar na cidade. Esta iniciativa de segurança da 30ª CIPM, ainda que em fase de implementação, não é tão benquista por alguns ciclistas. “Quando eu ando de carro eu não chamo meus amigos pra me acompanharem, o mesmo não pode ocorrer com quem anda de bicicleta. Essa atitude é jogar pro ciclista a responsabilidade por sua proteção e integridade física e patrimonial”, disse reclama Marcella Marconi.

A 39ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) da Boca do Rio recomenda:

– Evitar roteiros perigosos, suspeitos ou que já foram alvos de assaltantes;

– Procurar não pedalar sozinho e se acontecer, procurar atender a recomendação anterior;

– Em caso de assalto, NUNCA REAGIR;

– Procurar roteiros, bem iluminados, movimentados e arejados, que dificultem que o marginal se esconda;

– Pedalar atento a tudo e a todos; e

– Se parar, pare em locais de grande movimentação.

– Utilizar o Disque Denúncia para formalizar ações delituosas e para registrar qualquer ação suspeita: 3235-0000

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