Morre em Salvador, aos 84 anos, a artista plástica Yedamaria
Ela era conhecida internacionalmente pela obra que levava ao mundo as cores e traços culturais da Bahia

Conhecida mundialmente por suas obras, a pintora baiana Yedamaria – nome artístico de Yeda Maria Corrêa de Oliveira – foi encontrada morta, no domingo (27) à noite, no apartamento em que residia na Pituba, bairro da orla de Salvador. Diabética e hipertensa, a artista plástica tinha 84 anos de idade e morava sozinha.
Embora registrada no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), a ocorrência não deverá gerar inquérito, uma vez que os indícios colhidos pela polícia no local são compatíveis com um quadro de morte natural. Não foram constatadas marcas de violência no corpo da artista, que foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues.
Barcos – Nascida em Salvador em 1932, em família de classe média alta, Yeda Maria começou a pintar na década de 1950 e pertencia à escola expressionista. Na fase inicial, tinha predileção por pintar barcos, chegando a produzir um acervo de 200 telas sobre o tema. Em 1956, o quadro “Barcos na Água de Meninos” lhe rendeu menção honrosa no Salão Baiano de Artes Plásticas. Esta viria a ser considerada, para efeito de catálogo, sua obra inaugural.
Formada pela Escola de Belas Artes da Ufba nos anos 1950, Yeda lecionou no estabelecimento, anos depois. Nos anos 1970, conquistou título de mestre em Arte Estúdio pela Illinois State University. A partir de 1069, a artista incluiu em suas obras elementos e divindades de religiões de matriz africana.
Para estudiosos, a produção de Yêdamaria é muito importante, “por ser uma das artistas negras que acaba representando a participação de mulheres negras na historia da arte brasileira”, como define o memorial do Seminário Internacional Enlaçando Sexualidades, de setembro de 2011.
Várias de suas obras integram o acervo de renomados museus dentro e fora do Brasil (Estados Unidos e Europa, principalmente). Em novembro do ano passado, algumas telas de Yeda Maria foram expostas no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), como parte da programação especial do Mês da Consciência Negra.
Em depoimento ao memorial do Seminário Internacional Enlaçando Sexualidades, em 2011, Yeda Maria assim se define: “Acho que meu trabalho fala da Bahia, do povo daqui, da minha raça, as flores, as frutas, o colorido”.
Até o final desta tarde, local e horário do sepultamento ainda não estavam definidos..
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