Mais da metade dos médicos diplomados fora reprovaram no Revalida
Por meio do exame, diplomas expedidos por faculdades de Medicina no exterior podem ser validados por mais de 44 universidades públicas brasileiras

Apesar de o número de participantes e de aprovados serem crescentes nos últimos 5 anos, o Revalida – exame que certifica diplomas médicos expedidos no exterior – ainda reprova mais de 57% de seus candidatos, segundo dados do Ministério da Educação (MEC) divulgados nesta sexta-feira (1º). Ainda assim, os índices são considerados satisfatórios pelo órgão, já que, em 2013, a taxa de reprovação era de 93%. “É uma grande satisfação ver que temos aumentado a adesão à prova, que hoje tem a simpatia de toda a classe médica”, disse o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFCE) Henry Campos, representante da subcomissão do Revalida.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que a alta no número de participantes – em 2015, foram 1.031 candidatos a mais do que em 2014 – é em função da experiência vivida pelos profissionais do programa Mais Médicos, que atuam na atenção primária em locais remotos, estabelecidos pelo Ministério da Saúde, sob supervisão de médicos brasileiros. Embora esse seja o único caso em que a revalidação do diploma não seja necessária, “são médicos que se interessaram pelo País, querem ficar e se prepararam para ter um bom desempenho no exame”.
A maioria dos participantes ainda não vai bem (dos 3.993 que prestaram a segunda etapa em 2015, mais de 2,3 mil não passaram), mas Campos salienta que é um mito “a desconfiança das pessoas que se graduaram fora de que o exame seria feito para reprová-los” e também o argumento das entidades médicas de que a prova “facilitaria o ingresso desses médicos no mercado brasileiro”.
Por meio do Revalida, aplicado desde 2011, diplomas expedidos por faculdades de Medicina no exterior podem ser validados por mais de 44 universidades públicas brasileiras, dando ao médico o direito ao pleno exercício da profissão no País. A prova abrange cinco grandes áreas – clínica médica, ginecologia e obstetrícia, pediatria, cirurgia e medicina da família – e se dá em duas fases. Na primeira, uma prova escrita é aplicada em dez capitais, que contemplam as cinco regiões do Brasil. A segunda consiste em um teste de habilidades médicas que dura dois dias e pode ser realizado em Fortaleza (CE), Natal (RN), Campinas (SP) e Brasília (DF).
Os brasileiros que se graduaram no exterior são os que mais participam do Revalida e têm porcentual de aprovação de 41%. Bolivianos, colombianos e cubanos vêm em seguida na lista de nacionalidades mais frequentes na prova.
Quem se formou no Uruguai teve a taxa de aprovação mais satisfatória – 70,8%. Já entre os diplomas argentinos, 69% foram revalidados. O índice é de 66% e 62% para certificados expedidos em Portugal e Espanha, respectivamente. Apesar de os participantes com diplomas expedidos na Bolívia serem a maioria no Revalida 2015 (mais da metade do total), a aprovação é de apenas 33%. Médicos aprovados no Revalida 2015 – 1.683, número equivalente a 35 turmas – estão automaticamente aptos a disputar vagas em programas de residência médica, frisou o MEC.
Mercadante disse que os índices de aprovação colaboram para aumentar a oferta de médicos por mil habitantes no Brasil, ainda considerada “baixa”: 1,8. “Queremos em dez anos alcançar o patamar da Inglaterra, onde esse índice é de 2,7”. Ele afirmou que, para isso, também é preciso “acelerar a criação” de novos cursos de Medicina – 39 deles aguardam avaliação do Tribunal de Contas da União.
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